Pernambuco sofre média de cinco assaltos a banco por mês em 2015

A primeira quinzena de
abril terminou com quatro assaltos a bancos em Pernambuco.
Em menos de três meses e meio, o estado já registrou, em
2015, o mesmo número de crimes sofrido em todo o ano passado. De
janeiro até agora, foram dezessete investidas contra os bancos, que
se igualaram às estatísticas dos doze meses de 2014.

Para o
diretor do Sindicato, João Rufino, dois fatores explicam a escalada
do número de assaltos a bancos em Pernambuco: o descaso das
instituições financeiras com a segurança de suas agências e
postos de atendimento e a falta de empenho do poder público para
exigir o cumprimento das leis que tratam da segurança bancária.

“No
ano passado, tivemos, em média, cerca de 1,5 assalto a banco em
Pernambuco por mês. Este ano, a média subiu para quase cinco crimes
por mês, um aumento de 3,5 vezes”, comenta Rufino, que representa
o Nordeste no Coletivo Nacional de Segurança Bancária da
Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo
Financeiro).

O último caso – A agência do banco
Bradesco localizada em frente ao Hiper Bompreço, na avenida Caxangá,
no bairro da Iputinga, na Zona Oeste do Recife, foi assaltada na
manhã da última sexta-feira, dia 10.

Houve uma intensa
troca de tiros, três presos foram baleados e mais de R$ 170 mil
foram roubados. Segundo a Polícia Militar, a ação foi realizada
por cinco homens. Os bandidos chegaram a agredir funcionários e
clientes. Dois criminosos fugiram e levaram o dinheiro dos caixas
eletrônicos. O tiroteio ocorreu porque uma viatura da PM passava
pelo local e identificou a movimentação.

Segundo Rufino,
além do crescimento do número de assaltos em relação ao ano
passado, as investidas criminosas têm sido muito mais violenta. “Os
bancários estão apavorados. Muitos trabalhadores que viveram a
tensão de um assalto em sua unidade estão afastados com doença
ocupacional por conta do trauma que poderia ser evitado, se os bancos
investissem em segurança”, diz.

O Sindicato acompanhou os
bancários do Bradesco Caxangá após o assalto, garantiu o
atendimento psicológico, como manda a Convenção Coletiva da
categoria, e registrou as devidas Comunicações de Acidente de
Trabalho (CAT).

“As CATs são importantes para garantir que
o trabalhador passou por um acidente de trabalho caso, no futuro, ele
desenvolva algum transtorno psíquico por conta do assalto”,
explica o secretário de Saúde do Sindicato, Wellington
Trindade.

Além do Bradesco Caxangá, foram assaltadas em abril as agências do Santander da avenida Caxangá, do Banco do Brasil de  Casa Forte e o Posto do Santander da Imbiribeira.  

Descaso dos bancos – Dos dezessete assaltos
a bancos registrados este ano em Pernambuco, cinco ocorreram da mesma
maneira. Os ladrões simplesmente quebraram o vidro da fachada com
uma marreta e entraram na agência.

“Isso mostra a
fragilidade das agências e postos de atendimento. Na Campanha
Nacional dos Bancários de 2013, conquistamos um projeto-piloto de
segurança bancária que foi implantado de forma pioneira em
Pernambuco. Conseguimos garantir a maioria dos itens de segurança
que reivindicamos, mas os vidros blindados ficaram de fora. Se os
bancos atendessem nossa reivindicação, pelo menos cinco assaltos
teriam sido evitados”, explica Rufino. “A falta dos vidros
blindados compromete todos os demais itens de segurança”,
completa.

Rufino também cita que os bancos não cumprem a
legislação no que diz respeito à quantidade mínima de vigilantes
por unidade. “Sobretudo nas chamadas agências de negócio, a falta
de vigilantes é criminosa. Temos brigado muito com os bancos nesta
questão. Quantas vidas ainda precisam ser perdidas para que as
instituições financeiras respeitem a lei e, principalmente,
repeitem os bancários e clientes?”, questiona Rufino.

Descaso
do
poder público – Rufino também
credita o aumento dos assaltos a bancos ao descaso do poder público.
“Já denunciamos inúmeras vezes para a Prefeitura do Recife que os
bancos estão descumprindo a lei municipal de segurança bancária.
Mas a Prefeitura não vem fazendo as fiscalizações e interdições
da forma devida. Quando o Sindicato paralisou a agência do Itaú na
Domingos Ferreira por falta de segurança, no ano passado, a Dircon
esteve lá, notificou a agência e deu entrada em um processo. Mas,
depois disso, tudo continuou da mesma forma”, denuncia Rufino.

O
dirigente também diz que o Governo do Estado está com problemas
para combater a violência e garantir a segurança pública.
“Sentimos que há um grave problema neste início de gestão do
governador Paulo Câmara. Os números da criminalidade no estado
aumentaram vertiginosamente, o que reflete em todos os indiciadores,
inclusive nos assaltos a bancos. Vemos que até as viaturas estão
ficando sem combustível e isso impacta no combate ao crime”,
diz.

Segundo Rufino, o Sindicato já encaminhou ofício ao
Ministério Público, denunciando as fragilidades da segurança
bancária na Região Metropolitana do Estado e citando as agências
mais problemáticas.

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