No
próximo domingo, 26,
a Rede Globo completa 50 anos. Há dias a emissora já comemora o
aniversário nos intervalos e programas de TV, nas redes sociais e no
portal da internet. Mas para os movimentos sindical e sociais, há
muito mais motivos para “descomemorar”. Por isso, em várias
partes do país, haverá atos de “descomemoração”. No Recife, a
atividade tem concentração
às
15 horas na
Praça do Arsenal. O
evento marca
a abertura da Semana da Classe Trabalhadora no
estado.
Para
o diretor do Sindicato Ronaldo Cordeiro,o
momento é de relembrar aquilo que você não vai
passar na celebração da TV:
o apoio ao golpe e à ditadura militar brasileira, a fraude
constitucional para construção de um dos maiores monopólios de
comunicação do mundo; a
parcialidade e manipulação
da informação.
Coordenadora-geral
do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e
secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti afirma
que a visão plural nunca foi vista nos veículos da Globo, onde os
trabalhadores não tem voz. “Além de apoiar o golpe militar, a
emissora nunca primou por ajudar a construir e fortalecer a
democracia de fato no Brasil.”
Para
a secretária de Imprensa da CUT São Paulo, Adriana Oliveira
Magalhães, o grupo de comunicação faz justamente o contrário,
criminalizar os movimentos sociais. “Onde estão as matérias
aprofundadas e plurais, com diversidade de fonte, sobre a luta dos
trabalhadores por reforma agrária e o direito à moradia? Não tem.
Outra coisa que a mídia tradicional deturpa é o nosso direito
constitucional de fazer greve. E, no mesmo caminho, trata a luta
contra a terceirização do PL 4330, não como uma perda de direitos,
mas como algo favorável ao Brasil porque interessa aos empresários
que patrocinam os programas”, explica.
Ronaldo
Cordeiro lembra, ainda, que a emissora tem processos de sonegação que se arrastam há anos junto à Receita Federal, sem que ninguém cobre ou fale sobre o tema. Sobre
isso,
o Diário do Centro do Mundo (DCM) produziu uma série de matérias a
respeito do escândalo da sonegação da emissora.
>> Assista o documentário produzido como resultado das
investigações
No
começo do mês, os movimentos lançaram o manifesto “50 anos da TV
Globo: vamos descomemorar!”. Mais de 50 entidades já aderiram e
afirmam em conjunto que “a emissora nunca escondeu o seu ódio ao
sindicalismo, às lutas da juventude, aos movimentos dos sem-terra e
dos sem-teto. Através da sua programação, não é nada raro ver a
naturalização e o reforço ao ódio e ao preconceito”.