Militantes “descomemoram” 50 anos da TV Globo

Militantes dos movimentos pela democratização da mídia de várias cidades do país “descomemoraram”, neste domingo (26), os 50 anos da TV Globo, a emissora símbolo do sistema monopolista que mantem os meios de comunicação do país nas mãos de poucas famílias, impedindo o real debate de ideias, manipulando a informação e agenda social.
 
Em Brasília, cerca de 200 pessoas se reuniram em frente à sede da emissora para gritar palavras de ordem contra o veículo que historicamente opera para impedir a consolidação da democracia no país, apoiando governos golpistas, manipulando informações para atender aos seus pares e até cometendo crimes que seguem impunes.
 
“O povo não é bobo. Abaixo à Rede Globo”, gritaram os manifestantes, recuperando a palavra de ordem associada à emissora desde a ditadura militar, regime que recebeu amplo apoio do grupo empresarial da família Marinho em troca de vantagens financeiras e técnicas. “A verdade é dura. A Globo apoiou a ditadura”, também lembravam os presentes.
 
Eram representantes das centrais, sindicatos, movimentos sociais, especialmente os que levantam a bandeira da democratização da mídia. Mas eram, principalmente, jovens dos mais diferentes lugares sociais: camponeses, negros, pobres, mulheres, LGBTs, moradores da periferia, militantes políticos.
 
Em resumo, pessoas que pertencem àquela maioria dos brasileiros que não se sente devidamente representada pela ideologia veiculada pela TV, do noticiário às telenovelas. Àquela maioria formada por minorias diversas que são não apenas vítimas de preconceito, mas alvo de fortes campanhas de criminalização embutidas no conteúdo simbólico produzido pelo canal.
 
Apesar da forte chuva que caiu na capital federal, o ato se estendeu das 13 às 16 horas. Contou com falas acaloradas dos representantes das entidades, que lembraram o histórico de infrações à democracia acumulado pela emissora, desde o acordo ilegal firmado com o grupo Times Life para o seu surgimento até o recente escândalo de sonegação fiscal. Também pediram a urgente democratização da mídia, apontada como condição para a consolidação da democracia no país.

O evento contou ainda com intervenções que mostraram a diversidade da cultura brasileira que não passa pela tela da emissora. A bateria de Sobradinho, cidade satélite do DF, esquentou o clima frio provocando a emissora a apresentar o comprovante de pagamento dos bilhões de impostos sonegados do governo. O grupo Samba de Resistência lembrou o repertório de músicas censurado pelos militares que, durante muitos anos, não ocupou espaço na programação da TV.
 
No final do ato, militantes do Levante Popular da Juventude jogaram tinta vermelha no painel comemorativo dos 50 anos da emissora, colocado à frente da sede. Segundo eles, o vermelho representa o sangue derramado pela ditadura que, com o apoio da emissora, custou à vida de milhares de brasileiros – incluindo militantes políticos, camponeses e indígenas.

Um forte aparato policial acompanhou todo o protesto. Entretanto, a Polícia Militar atuou não para garantir a segurança dos manifestantes, regulando o trânsito e protegendo-os de quaisquer agressões, mas sim como segurança privada da Globo. Posicionados todos eles na guarita da sede da emissora, os policiais trabalharam única e exclusivamente para evitar danos ao patrimônio privado.

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