VALEU A PRESSÃO: Mobilização popular consegue barrar redução da maioridade

Desde
o início da semana, já havia gente acampada no Congresso Nacional.
Nesta terça, 30, dia marcado para a votação da proposta de redução
da maioridade penal, uma marcha reuniu milhares de jovens e entidades
ligadas aos direitos humanos. O acesso ao plenário foi vedado mais
uma vez. Mas a pressão valeu e, numa votação apertada, a Câmara
rejeitou a proposta.

Mesmo
assim, os movimentos sociais alertam para a importância de manter a
mobilização: “Eduardo Cunha já disse que vai levar à votação
o projeto original. Com o histórico de manobras para aprovação de
projetos que prejudicam a população, é muito importante que se
mantenha a pressão”, afirma a presidenta do Sindicato dos
Bancários de Pernambuco, Jaqueline Mello. Ela cita como exemplo o
caso do financiamento privado de campanhas. Depois de rejeitado, o
tema voltou ao plenário e acabou sendo
aprovado, em uma manobra do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Em
entrevista à Agência Brasil, o residente
da Câmara
ressaltou: “Eu
sou obrigado a votar a PEC original para concluir a votação ou o
que os partidos apresentarem. No curso da votação, poderão ser
apresentadas várias emendas aglutinativas. A votação ainda está
muito longe de acabar, foi uma etapa dela”. Ainda não há data
para a retomada da discussão. Eduardo Cunha disse que a proposta
poderá voltar à pauta na semana que vem ou, se isso não for
possível, no segundo semestre.

A
proposta rejeitada reduziria de 18 para 16 anos a maioridade penal
para crimes hediondos, como estupro, latrocínio e homicídio
qualificado. O adolescente dessa faixa etária também poderia ser
condenado por crimes de lesão corporal grave ou lesão corporal
seguida de morte e roubo agravado (quando há uso de arma ou
participação de dois ou mais criminosos, entre outras
circunstâncias). O texto original, que o
presidente da Câmara quer levar
à votação, reduz a maioridade para 16 em todos os casos.

VOTAÇÃO
APERTADA

– Faltaram
cinco votos para aprovar a proposta. A decisão, apertada, foi
recebida com gritos por deputados e manifestantes das galerias, que
cantaram: “Pula, sai do chão, quem é contra a redução” e
outras palavras de ordem. A sessão chegou a ser suspensa pelo
presidente da Câmara para que as galerias fossem esvaziadas.

Foram
mais de três horas de discussão em um Plenário dividido.
Orientaram
voto favorável à redução os partidos DEM, PSDB, PMDB, Solidaried
e outros menores, como o PP, PR, PMN e PSC. O PT, PCdoB, PSB, PDT,
PROS, PPS, PV, Psol e a bancada do governo orientaram o voto
contrário.

Os
deputados do PT, contrários ao texto, enfatizaram o discurso de que
o jovem precisa de mais educação. “Não ofereçam a desesperança
dos presídios, que não têm melhorado a vida de ninguém, a jovens
que podemos resgatar”, apelou a deputada Maria do Rosário (PT-RS).

O
deputado Tadeu Alencar (PSB-PE) lembrou que, nos últimos dez anos, o
Congresso aprovou diversas leis aumentando o tempo de pena de
diversos crimes, mas ainda assim a violência não diminuiu. “O que
reduz a violência é a certeza da aplicação dessa pena. Para
oferecer ao Brasil uma solução adequada, é preciso fazer um
diagnóstico. E vai se chegar à conclusão de que ela é fruto da
exclusão”, disse.

O
deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) ressaltou que a redução da
maioridade penal vai na contramão das experiências mundiais e não
tem estudos a seu favor. “A reincidência entre os que cumprem pena
no sistema prisional é de 70%, enquanto a reincidência entre os que
cumprem medida socioeducativa é de apenas 36%”, disse.

A
disputa sobre a PEC da Maioridade Penal começou no início da
semana, quando estudantes contrários à PEC se instalaram no gramado
do Congresso Nacional. Os estudantes acionaram o Supremo Tribunal
Federal (STF) para garantir a presença nas galerias do Plenário.
Mas
o acesso
às galerias só foi autorizado a um número reduzido de pessoas, por
meio de senhas distribuídas por partidos.

Confira
como votou a Bancada de Pernambuco

FAVORÁVEIS
À REDUÇÃO

  1. Mendonça
    Filho (DEM)
  2. Eduardo
    da Fonte (PP)
  3. Fernando
    Monteiro (PP)
  4. Anderson
    Ferreira (PR)
  5. Gonzaga
    Patriota (PSB)
  6. Marinaldo
    Rosendo (PSB)
  7. Pastor
    Eurico (PSB)
  8. Bruno
    Araújo (PSDB)
  9. Daniel
    Coelho (PSDB)
  10. Augusto
    Cavalcanti (PTB)
  11. Jorge
    Côrte Real (PTB)
  12. Ricardo
    Teobaldo (PTB)
  13. Zeca
    Cavalcanti (PTB)
  14. Augusto
    Coutinho (Solidaried)

CONTRÁRIOS
À REDUÇÃO

  1. Eduardo
    Cadoca (PCdoB)
  2. Luciana
    Santos (PCdoB)
  3. Wolney
    Queiroz (PDT)
  4. Kaio
    Maniçoba (PHS)
  5. Jarbas
    Vasconcelos (PMDB)
  6. Raul
    Jungmann (PPS)
  7. Fernando
    Coelho Filho (PSB)
  8. João
    Fernandes Coutinho (PSB)
  9. Tadeu
    Alencar (PSB)
  10. Sílvio
    Costa (PSC)
  11. Betinho
    Gomes (PSDB)

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Confira como votaram os deputados

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