O
plenarinho da Assembleia Legislativa de Pernambuco ficou pequeno
nesta sexta-feira, 03. Representantes de sindicatos de várias
categorias, urbanas e rurais; de movimentos sociais e estudantis
lotaram a audiência para tratar do PLC 30, Projeto de Lei que
tramita no Senado e escancara a terceirização.
A
atividade está sendo realizada em vários estados do país, como
iniciativa do presidente da
Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado,
Paulo Paim (PT-RS).
Além
de criticar o projeto em discussão, o senador também se comprometeu
a defender o reajuste dos aposentados de acordo com a variação do
salário mínimo e
crescimento do PIB,
a derrubada do Fator Previdenciário e o piso nacional dos
vigilantes.
Também
se contrapôs à redução da maioridade penal.
E
mandou um recado à Câmara dos Deputados: “Ditadura nunca mais. Na
democracia, se ganha no voto e não no golpe”, disse, referindo-se
à manobra de Eduardo Cunha para aprovar a redução da maioridade.
A
participação da
juventude e do movimento estudantil também empolgou o senador, que
ressaltou a importância da renovação das lideranças nos
movimentos sociais e
na política.
Parlamentares
e representantes das várias organizações da sociedade civil se
revezaram no microfone. Patrícia Carvalho, da Associação dos
Advogados Trabalhistas de Pernambuco, ressaltou que são as mulheres
e negros as maiores vítimas da precarização do trabalho nas
empresas terceirizadas.
Carlindo
Dias, representante da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos
Trabalhadores do Ramo Financeiro), lembrou que, se os terceirizados
recebem, em média, 30% a menos que os contratados, no setor
financeiro, a remuneração é 70% inferior.
Do
Sindicato dos Bancários, estavam presentes os diretores Cleber
da Rocha, Kátia Cadena e Luiz Freitas. Outros diretores acabaram não
conseguindo acesso porque o plenarinho já estava lotado. “Desde os
primeiros rumores sobre o PL 4330, os bancários têm
se mobilizado para evitar este retrocesso”, afirmou
Luiz Freitas, em plenário.
Um
dos momentos emocionantes da audiência foi a fala de Camila Áurea,
do Sindicato dos Operadores de Telemarketing. Pertencente a uma das
categorias mais prejudicadas pela terceirização, ela falou
que, em três anos de serviço, perdeu 60% da audição do ouvido
direito.
Contou,
ainda, a história de uma colega que, depois de participar de uma
mobilização pelo aumento do tíquete, foi punida com a proibição
de ir ao banheiro. Grávida de gêmeos, ela acabou perdendo um dos
bebês.
A
audiência foi encerrada com a leitura da Carta de Pernambuco contra
a Terceirização. Nela, os movimentos manifestam seu repúdio ao
projeto, destacam os impactos negativos que a ampliação da
terceirização pode ter para os direitos trabalhistas e para a
organização dos trabalhadores e
pedem o arquivamento do projeto.