
O Comando Nacional dos
Bancários se reuniu nesta terça-feira, dia 21, em São Paulo, para
discutir a organização da Campanha Nacional 2015, que começa em
agosto. Durante o encontro, representantes dos bancários de todo o
país debateram as estratégias para ampliar a mobilização dos
trabalhadores e garantir, assim, mais conquistas para a categoria.
A
presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, que representa
Pernambuco no Comando Nacional dos Bancários, destaca que a
mobilização dos trabalhadores será, mais uma vez, fundamental para
que a Campanha seja vitoriosa.
“Os bancos continuam
lucrando alto, mas vão usar a desculpa da crise econômica para
endurecer nas negociações. A Campanha será difícil, mas vamos
sair vitoriosos se a mobilização dos bancários for boa. O
Sindicato já está nos locais de trabalho conversando com a
categoria e conscientizando as pessoas sobre a importância de se
lutar, juntos, pelas nossas reivindicações”, diz Suzi.
Durante
a reunião do Comando Nacional, os dirigentes sindicais fizeram
relatos sobre os vários encontros e conferências estaduais e
regionais já realizados. No Nordeste, a Conferência Regional foi
realizada no último final de semana e definiu as demandas que os
bancários nordestinos querem ver contempladas na pauta de
reivindicações (leia mais).
“Aprovamos o índice de
reajuste, com reposição da inflação e mais 5 % de ganho real, que
levaremos para a Conferência Nacional. Vamos jogar peso este ano na
luta pela proteção ao emprego e contra a terceirização. Mas
também queremos a contratação de remuneração total, melhoria no
cálculo da PLR, mais segurança, mais saúde, melhores condições
de trabalho e o combate ao assédio moral e às metas abusivas”,
enumera Suzi.
O resultado das conferências e encontros
estaduais e regionais será a base para a construção da pauta de
reivindicações, que será definida na 17ª Conferência Nacional
dos Bancários, a ser realizada entre os dias 31 de julho e 1 e 2 de
agosto, em São Paulo.
Para o presidente da Contraf-CUT,
Roberto von der Osten, as conferências já realizadas até o momento
“foram técnicas, mas muito politizadas”. As discussões,
observou Roberto, foram centradas na questão do emprego, no fenômeno
da automação e da terceirização.
A reunião desta terça
– A reunião do Comando Nacional começou com uma análise da
conjuntura nacional e bancária feita pela economista Vivian
Rodrigues, do Dieese, que propôs uma reflexão para as negociações
deste ano. De acordo com a apresentação, as medidas adotadas
recentemente vão na linha contrária da busca do crescimento
econômico. Os números apontam que os reflexos já começaram com a
queda do PIB, retração no mercado de trabalho e os aumentos nas
taxas de juros.
O principal dado negativo é que, de janeiro
de 2012 a maio de 2015, o setor bancário fechou mais de 22 mil
postos de trabalho, uma média de 545 empregos a menos por mês.
Vivian apresentou ainda trabalho sobre os reflexos da tecnologia no
setor bancário.
Outro apontamento do estudo é que o número
de agências cresce abaixo da demanda por serviços bancários. Até
por isso, a representatividade das agências nas operações cai pela
metade entre 2010 e 2014. Hoje, apenas 7% das transações são
realizadas em agências.