Sindicato reintegra mais duas bancárias demitidas pelo Santander com doença ocupacional

O Sindicato reintegrou,
nas últimas semanas, mais duas bancárias demitidas ilegalmente pelo
Santander. Rosemary Soares da Silva e Aída Rosângela Cavalcanti
trabalham há mais de 20 anos no banco e, mesmo tendo doenças
ocupacionais, foram demitidas.

Em março deste ano, o
Santander demitiu Rosemary. À época, faltavam apenas quatro meses
para que a bancária completasse 30 anos de trabalho no banco e oito
meses para que completasse 55 anos de idade.

Desde 2002,
Rosemary sofre de LER/Dort (Lesão por Esforço Repetitivo/Distúrbio
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Em 2002 e 2003, abriu CATs
(Comunicações de Acidente de Trabalho) e, em 2006, foi licenciada
pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), por seis anos.

Em
2012, foi liberada pelo Instituto para retornar ao trabalho, mas o
Santander a considerou inapta e a manteve afastada do trabalho,
remunerando-a. Em 2014, Rosemary retornou ao banco, mas, um ano
depois, foi demitida. Após procurar o Sindicato, entrou com uma ação
na Justiça do Trabalho, que considerou sua demissão ilegal e
determinou a sua reintegração.

“A minha reintegração foi
uma grande vitória. Foram 102 dias de muita angústia e busca pelos
meus direitos. Agradeço todo o apoio do Sindicato e da minha
família”, afirma Rosemary. “As empresas deveriam ter mais
respeito pelos seus funcionários e deixá-los terminarem seu tempo
de trabalho em paz”, completa a bancária.

Reintegrada no
último dia 10, Rosemary fará, em agosto, uma perícia no INSS para
avaliar quando poderá retornar ao trabalho.

Demissão
depois da férias –
Aída, por sua vez, foi demitida em janeiro
deste ano, uma semana depois de retornar das férias. Em dezembro,
havia recebido um retorno positivo do gerente geral da agência.
“Sempre bati metas e ganhei vários prêmios do banco por isso”,
conta a bancária.

O gerente-geral não explicou o motivo da
sua demissão, disse apenas que era uma determinação do banco. “Eu
já tinha sido demitida uma vez, em 2005, e fui reintegrada pelo
mesmo motivo: doença ocupacional”, lembra Aída. Com 22 anos de
trabalho no banco, ela sofre de LER/Dort desde 2003 e já havia sido
licenciada do trabalho por isso quatro vezes.

Após ser
demitida neste ano, Aída ficou licenciada pelo INSS até abril. Ela
foi reintegrada no último dia 15 e está aguardando os exames
necessários para retornar ao banco.

A Justiça determinou que
o Santander reative imediatamente o plano de saúde da bancária e
pague as remunerações referentes ao período em que ela esteve
afastada da trabalho devido à demissão ilegal e sem a licença do
INSS. O caso de Aída foi acompanhado pelo escritório Pedro Paulo
Pedrosa Advogados Associados, que presta serviços ao
Sindicato.

Campeão de demissões – O secretário
de Saúde do Sindicato, Wellington Trindade, que acompanhou a
reintegração das bancárias, afirma que tem se tornado uma prática
do Santander demitir funcionários com muito tempo de banco e doença
ocupacional.

“O Santander busca substituir os funcionários
mais caros, que têm muitos direitos adquiridos, por funcionários em
início de carreira, que lhe custam menos. Além disso, é um dos
bancos que possuem maiores índices de adoecimento de funcionários,
tanto por LER/Dort como por distúrbios psíquicos”, explica
Wellington.

“Muitas vezes, os bancários, mesmo doentes,
escolhem continuar trabalhando para não prejudicar os colegas – já
que as agências têm menos funcionários do que o necessário –, e
para manter uma imagem positiva diante do banco. Mas o Santander é
implacável em sua avaliação e, se considerar que é mais lucrativo
demiti-los, fará isso sem dúvida alguma”, completa Wellington.

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