
O Bradesco confirmou
nesta segunda-feira, dia 3, a compra do HSBC no Brasil, numa
transação que movimentou R$ 17,6 bilhões. Com a aquisição, o
Bradesco assumirá todas as operações do banco inglês no país,
incluindo varejo, seguros e administração de ativos, e as agências
e clientes.
Preocupados com o emprego dos bancários, os
sindicatos solicitaram uma reunião urgente com a cúpula dos dois
bancos. O encontro foi confirmado para esta terça-feira, dia
4.
Segundo a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, o
objetivo dos bancários é conseguir um compromisso formal dos bancos
que garanta o emprego dos funcionários do HSBC. “O Bradesco pagou
pelo HSBC um preço bem maior que o previsto pelo mercado, numa prova
da saúde financeira das duas instituições. O negócio será ótimo
para os dois bancos, mas precisa ser bom para os bancários e
clientes também. Não podemos admitir que estes processos de fusão
e aquisição prejudiquem os funcionários e a sociedade. Por isso,
vamos lutar – e muito – para que não haja demissões neste processo
de venda do HSBC”, explica Suzineide.
Atualmente, o HSBC
emprega 21 mil bancários no Brasil. Em Pernambuco, o banco inglês
tem cerca de 300 funcionários. O HSBC conta com 5 milhões de
correntistas e está presente em 529 municípios brasileiros, com 851
agências, 464 postos de atendimento, 669 postos de atendimento
eletrônico, 1.809 ambientes de autoatendimento e 4.728 caixas
eletrônicos.
Sindicato na luta – Desde que o
HSBC assumiu, extraoficialmente em fevereiro e de forma oficial em
junho, que estava vendendo suas operações no Brasil, os sindicatos
dos bancários estão na luta pela manutenção dos empregos dos
funcionários.
O diretor do Sindicato, Alan Patrício, conta
que a Contraf-CUT e os sindicatos já se reuniram com parlamentares,
representantes do governo, lideranças políticas e diretores de
vários órgãos como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade) e o Banco Central para discutir a questão do emprego dos
bancários.
“Também já realizamos diversas reuniões com o
HSBC, que apenas se comprometeu que, sob sua gestão, não haverá
demissões em massa. Mas este processo de venda logo termina,
provavelmente em fevereiro ou março do ano que vem. E como vai ficar
a situação dos bancários? Queremos do Bradesco uma garantia formal
de que não haverá demissões imotivadas no HSBC. Para isso, vamos
intensificar a luta nos próximos dias e pedimos para os bancários,
inclusive de outros bancos, para entrarem nesta batalha com a gente”,
diz Alan.
Para ampliar a pressão sobre os dois bancos, o
Sindicato disponibiliza um abaixo-assinado em apoio à luta dos
funcionários do HSBC em defesa do emprego. Todos os bancários podem
baixar o arquivo para colher assinaturas de trabalhadores,
familiares, amigos e clientes até o dia 7 de agosto.
>>
Acesse e imprima o abaixo-assinado
Depois,
basta entregar o documento para um diretor do Sindicato ou enviá-lo
para a sede da entidade (Av. Manoel Borba, 564, Boa Vista, Recife). O
abaixo-assinado será entregue à presidenta Dilma, ao Senado, à
Câmara dos Deputados, à direção do Banco Central, ao Cade e à
imprensa.
“Além do abaixo-assinado, uma outra boa maneira
de pressionar o banco é enviando e-mails para políticos e órgãos
envolvidos no negócio”, diz Alan.
Para enviar mensagens aos
senadores clique aqui e para os deputados federais clique
aqui.
Ruim para os bancários – Os
processos de fusão e aquisição no sistema financeiro nacional têm
sido prejudiciais aos bancários.
Em
2008, antes da fusão do Itaú com o Unibanco, o Itaú contava com
77.354 empregados e o Unibanco com 37.104 empregados, totalizando
108.458 postos de trabalho. Em março de 2015 o Itau Unibanco conta
com 92.757 empregados. Isso significa que desde a fusão foram
fechados 15.701 postos de trabalho.
Em 2007, com a compra do
Banco Real pelo Santander, o impacto direto foi o corte de 2.969
postos de trabalho ao final de 2008.
Ruim para a sociedade
– O setor bancário brasileiro já vive um oligopólio.
Em 2014, os seis maiores bancos (BB, Itaú, Bradesco, Caixa,
Santander e HSBC) passaram a concentrar 82,5% do ativo total do
sistema bancário brasileiro. Em 1999 esse mesmo índice era de 59%.
Com relação às operações de crédito observa-se a mesma
tendência: enquanto em 1999 os seis maiores bancos possuíam pouco
mais de 60% do total de operações de crédito do setor, em 2014
essa participação chegou a 84%.
O resultado da aquisição
do Bradesco vai agravar esse oligopólio. Os cinco maiores bancos,
antes da aquisição, concentravam 80% dos ativos, 84% do crédito,
87% dos depósitos à vista, 95% dos depósitos de poupança e 87%
das agências. Depois da aquisição do HSBC, concentram 83% dos
ativos, 86% do crédito, 92% dos depósitos à vista, 96% da poupança
e 91% das agências.
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