
Cerca de 70 mil mulheres estão em
Brasília desde esta terça (11) na 5ª edição da Marcha da
Margaridas. Nesta quarta (12), a marcha saiu logo cedo para percorrer
um percurso de cinco quilômetros, em direção à Esplanada dos
Ministérios e Congresso Nacional.
O Sindicato está representado pela
presidenta Suzineide Rodrigues; pela secretária de Assuntos da
Mulher Eleonora Costa; pela secretária-geral Sandra Trajano; pelos
diretores Marcílio França e Kátia Cadena; e pela militante Marli
Marinho. A diretora da Fetrafi-NE (Federação dos Trabalhadores do
Ramo Financeiro no Nordeste), Teresa Souza, também está presente.
“Esta marcha que já é considerada a maior manifestação de
mulheres do mundo”, ressalta Eleonora.
Organizada pela Confederação Nacional
dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), o principal objetivo é
apresentar uma pauta de reivindicações que atenda às necessidades
das mulheres que vivem e trabalham no campo. Mas a Marcha já tem o
poder de ecoar mundialmente as bandeiras de luta de todas as
trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, independentemente da
categoria, além de debater a conjuntura econômica e política do
País.
Neste ano, o tema é
o
desenvolvimento sustentável com democracia, justiça autonomia,
liberdade e igualdade. Mas o
combate ao conservadorismo político
atual, que pode levar ao retrocesso das conquistas históricas dos
trabalhadores brasileiros, também está em discussão. A atuação
do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é questionada nos carros de
som e com palavras
de ordem: “Marcha
mulherada! Sua bandeira na mão empunha. Viemos de todo canto, botar
pra fora Eduardo Cunha”, gritam as mulheres.
A marcha conta com a participação de
27 federações e 11 entidades parceiras. Vários dirigentes da
Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo
Financeiro) estarão presentes. “Estamos nas ruas para dizer que
não aceitamos retrocesso. Este Congresso não nos representa e nós
exigimos uma reforma política decente. As mulheres são as maiores
vítimas das medidas conservadoras, como a exclusão do termo gênero
dos Planos de Educação; o projeto da terceirização e o ajuste
fiscal – que precarizam ainda mais a condição da mulher
trabalhadora”, afirma a presidenta do Sindicato Suzineide
Rodrigues.
Entre os pontos da pauta também estão
o fim da violência contra a mulher e os 9 anos da Lei Maria da
Penha. Fruto da mobilização popular, a legislação, reconhece a
situação de fragilidade das vítimas da violência doméstica e o
Estado toma pra si a responsabilidade de prevenir a violência,
proteger as mulheres agredidas, ajudar na reconstrução da vida da
mulher e punir os agressores.
Encontro com Dilma – Nesta
quarta-feira (12), a presidenta Dilma Rousseff participará do ato,
no estádio Mané Garrincha, onde apresentará o compromisso do
governo federal com as reivindicações listadas na pauta do
movimento.
Os diversos movimentos sociais que
compõem a Marcha das Margaridas assinam a carta intitulada “Porque
Marchamos”, publicada no site da Contag. Um dos trechos ressalta a
luta contra as desigualdades econômicas, sociais e políticas.
“Marchamos por liberdade e
democracia com efetiva participação das mulheres, em defesa de seus
direitos e por políticas públicas construídas com respeito às
diversas identidades, que ajudem na desconstrução de padrões
patriarcais e sexistas, valorizem tradições culturais, os saberes
regionais e protejam a sociobiodiversidade e o patrimônio genético.
Tais medidas devem romper com as desigualdades econômicas, sociais e
políticas, vencendo a pobreza, que é maior entre as mulheres e
agravada entre as mulheres rurais, negras e jovens”, diz um
trecho da carta.
>> Leia aqui o documento na íntegra
Somos todas (os) Margaridas – A
Marcha das Margaridas é uma homenagem à Margarida Maria Alves,
presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na
Paraíba, assassinada por um pistoleiro no dia 12 de agosto de 1983.
Em sua memória e para fortalecer a
luta, a cada três anos, caravanas de mulheres partem de todo o País
rumo à capital federal.
Desde 2003, primeiro ano da
manifestação, mais de 140 mil mulheres já ocuparam Brasília para
cobrar e conquistar políticas públicas voltadas a um modelo de
desenvolvimento centrado na vida, no respeito à diversidade e contra
a violência sexista.
A partir de 2007, o governo federal
criou uma mesa de negociação permanente que seguiu
ininterruptamente e é atualizada a cada marcha.