
“Somos todas
margaridas por um País melhor!”. Com este grito e muitos
outros, mais de 70 mil mulheres marcharam em Brasília, nesta
quarta-feira (12), pela manutenção da democracia brasileira e
contra o retrocesso. As manifestantes saíram, no começo da manhã,
do Estádio Mané Garrincha e foram até o Congresso Nacional, onde
circularam o prédio. Muitas deram às costas à Casa Legislativa e
não faltaram críticas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, além
de pedidos de saída do deputado.
O Sindicato engrossou a
Marcha com a presidenta Suzineide Rodrigues; a secretária de
Assuntos da Mulher Eleonora Costa; a secretária-geral Sandra
Trajano; os diretores Marcílio França e Kátia Cadena; e a
militante Marli Marinho. A diretora da Fetrafi-NE (Federação dos
Trabalhadores do Ramo Financeiro no Nordeste), Teresa Souza, também
marcou presença. “Esta marcha que já é considerada a maior
manifestação de mulheres do mundo”, ressalta Eleonora.
“A
marcha foi só emoção. Muito linda! Era uma multidão lutando por
um mundo melhor! E não descansaremos enquanto não houver igualdade
de oportunidades para todos, independentemente do gênero.
Continuaremos em marcha até que todas as mulheres sejam livres.
Juntas, somos fortes! Este é o nosso grito de guerra das
Margaridas!”, destacou Suzineide.
O presidente da
Contraf-CUT, Roberto von der Osten, disse que a Marcha das
Margaridas, “pelo tamanho e importância que possui, reafirma o
papel que a mulher deve ter na política, lembrando que temos uma
presidenta”. E acrescentou: “Ainda temos muitas mulheres
sofrendo em vários setores. A marcha dá muita visibilidade para as
questões de gênero e para a importância do debate da sociedade
sobre a igualdade de oportunidades”.

Defesa da
democracia – “Não vai ter golpe hoje, nem amanhã, nem
nunca mais”, foi outro aviso das participantes da Marcha.
Lideranças do ato defenderam a permanência de Dilma Rousseff na
condução do País. Outros dirigentes da Contraf-CUT também
reforçaram o recado com faixas na manifestação. “Não
aceitamos retrocesso. Não aceitamos golpe. Estamos nas ruas para
combater o conservadorismo político atual, que age para derrubar
direitos históricos dos trabalhadores e implantar a terceirização,
que já precariza as relações de trabalho e atinge a saúde dos
trabalhadores e das trabalhadoras”, alertou a secretária da
Mulher da Confederação, Elaine Cutis.
Estava marcado
ainda para a tarde desta quarta-feira o encontro com a presidenta
Dilma Rousseff no Estádio Mané Garrincha. A expectativa é que a
presidenta anuncie novas políticas públicas e compromissos do
governo com as pautas defendidas na Marcha.
Taxação
das fortunas – Ao chegar em frente ao Ministério da
Fazenda, os manifestantes criticaram o ajuste fiscal, liderado pelo
ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e pediram a sua saída do cargo.
As margaridas afirmaram que o trabalhador tem pago a conta do ajuste
e defenderam como alternativa para a crise a taxação das grandes
fortunas.
Os manifestantes também criticaram a falta de
investimento dos bancos no desenvolvimento do País e lembraram os
altos lucros que as instituições financeiras têm registrado, mesmo
neste período de queda no crescimento da economia.
No
primeiro semestre deste ano, o Bradesco anunciou lucro de R$ 8
bilhões, com alta de 20,6%, em relação ao mesmo período do ano
passado. O Itaú lucrou 11,9 bilhões e o Santander, 3,3
bilhões.
“Este é um ponto importante que a Marcha
também traz para as ruas. Nós que trabalhamos no ramo financeiro
vemos que o lucro dos bancos não são revertidos em melhorias no
trabalho. A categoria bancária conquistou vários avanços, mas
ainda sofremos com metas abusivas e assédio moral”, ressaltou a
dirigente Lucimara Malaquias, do Sindicato dos Bancários de São
Paulo.
Contra a violência – As
margaridas também defenderam o fim da violência contra a mulher.
Nos vários carros de som, espalhados pela marcha, e durante todo o
encontro, mulheres do campo e da cidade deram seus depoimentos sobre
situações de violência em várias regiões do País. Preocupação,
traduzida em números.
De janeiro a junho deste ano, a central
de atendimento à mulher (Ligue 180) da Secretaria de Políticas para
as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), recebeu 32.248
relatos de violência contra a mulher, 16.499 foram de violência
física (51,16%); 9.971 de violência psicológica (30,92%); 2.300 de
violência moral (7,13%); 629 de violência patrimonial (1,95%);
1.308 de violência sexual (4,06%); 1.365 de cárcere privado
(4,23%); e 176 de tráfico de pessoas (0,55%).
“A Marcha
das Margaridas desperta as mulheres e a sociedade para as mais
diversas situações de discriminação que as trabalhadores ainda
sofrem. Fico emocionada em ver tantas mulheres envolvidas com o
combate à violência e a defesa dos nossos direitos. Na cidade temos
mais estrutura, mas no campo as mulheres parecem ter mais coragem.
Esta força está presente aqui”, ressaltou a dirigente Inês
Ogando, do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Mas
não só as mulheres marcharam em Brasília. Os homens também se
juntaram à luta. O secretário de combate ao Racismo da Contraf-CUT,
Almir de Aguiar, lembrou que as mulheres negras sofrem discriminação
dupla por gênero e raça e destacou a branquitude do Congresso
Nacional.
“Embora representem mais da metade da
população e do eleitorado, pesquisas mostram que somente 3% dos
eleitos se declararam negros. Com poucas mulheres no Legislativo esta
proporção fica ainda pior. São situações que também precisam
mudar”, afirmou o secretário.
LEIA TAMBÉM
>> Lula aponta protagonismo das mulheres no crescimento do País
>> Margaridas cobram políticas públicas voltadas à realidade da mulher
>> Sindicato participa da Marcha das Margaridas em Brasília