
O Comando Nacional dos
Bancários e a Federação dos Bancos (Fenaban) reúnem-se nesta
quarta-feira, dia 19, em São Paulo, para dar início às negociações
da Campanha 2015. A pauta de reivindicações foi entregue aos bancos
no último dia 11 (leia mais) e as discussões começam pelas demandas
relacionadas ao emprego dos bancários.
“Esta primeira
rodada de negociação vai discutir a reivindicação mais importante
deste ano”, explica a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues,
que representa Pernambuco no Comando Nacional dos Bancários.
Suzineide destaca que os bancários estão vivendo um momento
de verdadeiro ataque aos seus empregos. “Os bancos têm fechado
milhares de postos de trabalho nos últimos anos, além de praticar a
rotatividade e patrocinar diversos projetos de lei sobre
terceirização que tramitam no Congresso. Fora isso, estamos
passando por mais um processo de fusão e aquisição no sistema
financeiro, com a compra do HSBC pelo Bradesco, negócio que sempre
extermina o emprego dos bancários”, explica.
Empregos em
risco – Todos os dias, cerca de 1.650 bancários são demitidos
pelos bancos que operam no Brasil. Só no primeiro semestre deste
ano, as instituições financeiras enxugaram seu quadro de pessoal em
2.795 vagas, que foram fechadas sem perspectiva de serem preenchidas
num futuro próximo.
A situação pode piorar com a recente
compra do HSBC pelo Bradesco, num negócio que, sempre, resulta em
demissões e fechamento de postos de trabalho para os bancários. A
fusão do Itaú com o Unibanco, em 2008, por exemplo, resultou no
fechamento de 15.701 postos de trabalho. Um ano antes, a compra do
Banco Real pelo Santander ceifou 2.969 empregos.
Fora o
problema interno dos bancos, o emprego dos bancários ainda corre
riscos diante de uma série de projetos que tramitam no Congresso
Nacional e que regulamentam a terceirização ilegal no país. Se
aprovados, acabariam com o emprego com carteira assinada e
transformaria o Brasil num país de terceirizados. E quem são os
principais lobistas no Congresso que pressionam pela aprovação
desses projetos? Os bancos.
“Por tudo isso, a proteção ao
emprego será o grande mote da Campanha Nacional dos Bancários deste
ano”, ressalta Suzineide.

Mobilização – A Campanha
dos Bancários 2015 já está nas ruas. Além da proteção ao
emprego, a categoria quer reajuste de 16%, valorização do piso
salarial no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$
3299,66 em junho), PLR de três salários mais R$ 7.246,82, combate
às metas abusivas e ao assédio moral, melhores condições de
trabalho, fim da terceirização e vales-alimentação e refeição
maiores.
Para esquentar as turbinas da mobilização dos
bancários, o Sindicato lançou a Campanha Nacional em Pernambuco com
uma série de atos e protestos no Recife, na semana passada (saiba
mais). No último final de semana, o Sindicato realizou
mais um Encontro dos Bancários do Interior, em Serra Talhada, para
mobilizar os trabalhadores de todo o Estado (leia aqui).
“Estamos
percorrendo diariamente as agências, postos e departamentos dos
bancos para dialogar com os bancários sobre a Campanha Nacional. E
para esquentar a mobilização e pressionar os bancos na mesa de
negociação, vamos realizar atos e manifestações todas as
semanas”, diz Suzineide.
A próxima atividade de mobilização
do Sindicato será realizada nesta quinta-feira, dia 20 de agosto,
nas agências bancárias da avenida Agamenon
Magalhães, no
Recife.