
Diretores
do Sindicato reuniram-se nesta segunda-feira, dia 18, para refletir e
debater sobre um tema de grande relevância na conjuntura política
nacional. O advogado trabalhista Claudio Ferreira proferiu uma
palestra sobre a campanha organizada por grupos de direita a favor do
impeachment da presidenta Dilma. Em seguida, houve um debate sobre o
assunto.
Claudio é militante político de esquerda. Foi
secretário de Finanças da CUT-PE e presidente do SindPD-PE
(Sindicato
dos Trabalhadores em Empresas de Informática, Processamento de Dados
e Tecnologia da Informação de Pernambuco).
O
advogado explicou que não há elementos jurídicos para a
configuração do impeachment da presidenta. “Em nenhuma situação,
há provas de que a presidenta tenha agido no sentido de violar a
lei. Por trás dessa discussão sobre impeachment, existe uma disputa
pelo país que queremos construir. O debate jurídico serve de apoio
ao debate político”, afirma Claudio.
Outro ponto destacado
pelo advogado é a inserção no jogo político brasileiro de um novo
ator: os defensores de políticas ultraliberais. “Leiam as
propostas desses grupos que defendem o impeachment. Eles defendem,
também, o Estado mínimo. O que está em jogo não é manter ou
tirar Dilma, mas a defesa de um projeto político”, reforça.
Um
dos exemplos citados pelo advogado foram as disputas acerca da
exploração do pré-sal. A expectativa é que o Brasil se torne o
quarto maior produtor de petróleo do mundo. Dilma defende o regime
de partilha na exploração e, em 2013, foi aprovada uma lei que
destina 75% dos royalties do petróleo à educação e 25% à
saúde.
“Há
muitos interesses envolvidos. Muitas empresas e outros países,
inclusive, querem o regime de concessão e discordam da destinação
desse montante à saúde e à
educação.
É uma disputa política”, explica Claudio.
Por fim, Claudio
ressaltou que os dirigentes sindicais têm um papel fundamental nesse
cenário de crise política. “São os movimentos social e sindical
os responsáveis pela defesa das pautas que interessam à maioria
população brasileira, das bandeiras de luta dos trabalhadores. E
esse projeto vai muito além de objetivos eleitorais. Os movimentos
sociais são os possíveis protagonistas desse processo”, destaca o
advogado.
Formação
–
A secretária de Formação do Sindicato, Anabele Silva, ressalta
que, dado o atual cenário, uma formação política contínua
tornou-se, mais do nunca, essencial para os movimentos sindical e
social.
“Como
entes políticos, somos questionados
sobre temas cada vez mais complexos. Precisamos embasar nossas ideias
para defender a pautas dos trabalhadores junto com os bancários. Não
podemos ser levados pelo senso comum”, afirma Anabele.
“Temos
feito vários debates sobre conjuntura política. Dialogar com
Claudio Ferreira foi muito bom, pois, além da formação política,
ele nos trouxe o embasamento jurídico que evidencia que um
impeachment da presidenta só seria possível rasgando a Constituição
Federal”, completa a secretária de Formação.
Aprimorar
não só a formação da diretoria do Sindicato, mas também da
categoria bancária é a prioridade da secretaria para esta gestão.
Anabele conta que a terceirização e outros temas relacionados aos
direitos humanos, como o aborto e a redução da maioridade penal, já
fazem parte dos planos para outros debates. “Passada a Campanha
Nacional, ampliaremos essas discussões para os bancários”,
finaliza Anabele.