
O Comando Nacional dos
Bancários e a federação dos bancos (Fenaban) se reúnem nesta
quarta-feira, dia 2, para a segunda rodada de negociações da
Campanha 2015. Na pauta das discussões estão as reivindicações
dos bancários sobre saúde, condições de trabalho e segurança. A
segunda rodada de negociação será realizada em São Paulo e
concluída na quinta-feira, dia 3. Não houve avanços na primeira
rodada, realizada no dia 19 de agosto (leia
aqui).
A presidenta do Sindicato, Suzineide
Rodrigues, destaca que as reivindicações discutidas esta semana com
os bancos estão entre as mais importantes para os bancários. “Nossa
categoria é uma das que mais sofrem com doenças relacionadas ao
trabalho. Além da LER (Lesão por Esforço Repetitivo) e outras
doenças físicas, também estamos sofrendo com uma epidemia de
doenças psíquicas, causadas pelo assédio moral, pelas metas
abusivas e pela falta de segurança nos bancos”, diz Suzineide, que
representa Pernambuco no Comando Nacional dos Bancários, responsável
pelas negociações com os bancos.
Saúde e condições de
trabalho – Entre as reivindicações dos bancários estão o
fim das metas abusivas e do assédio moral. Com uma rotina de
trabalho cada vez mais estressante, a categoria bancária está entre
as que mais sofrem com doenças ocupacionais.
Os casos de
transtornos mentais e comportamentais estão crescendo muito mais
rapidamente e já superam os adoecimentos relativos a LER/Dort.
Somente entre janeiro e março do ano passado, 4.423 bancários foram
afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços
repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como
depressão, estresse e síndrome do pânico.
O INSS ainda não
divulgou os dados do ano todo de 2014 sobre o setor bancário, mas
tabelas completas de anos anteriores reforçam ainda mais este
aumento. Em 2009, foram 2.957 afastamentos por transtornos mentais e
comportamentais. Já em 2013, os números chegaram a 5.042 bancários.
Um crescimento de 70,5%, conforme estudo do Dieese com base nos
benefícios previdenciários e acidentários concedidos pelo INSS.
A
negociação com a Fenaban também abordará os resultados das
discussões feitas ao longo do ano no GT do adoecimento, grupo de
trabalho formado pelos bancários e pelos bancos, que tem a função
de analisar as causas dos afastamentos dos empregados do ramo
financeiro.

Segurança – O Comando Nacional
reivindica melhores condições de segurança para bancários,
clientes e assistência às vítimas de assaltos, sequestros e
extorsão. Também estão na pauta a permanência de dois vigilantes
por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme
legislação.
Ainda constam na pauta a instalação de portas
giratórias com detector de metais na entrada das áreas de
autoatendimento, biombos nos caixas, o fim da revista íntima, a
abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves
por funcionários e extinção das tarifas para transferência de
dinheiro via DOC e TED para coibir o crime da “saidinha de
banco”.
Levantamento realizado pela Contraf-CUT e
Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com apoio técnico do
Dieese, aponta que 66 pessoas foram assassinadas em assaltos
envolvendo bancos em 2014, uma média de 5,5 vítimas fatais por mês.