Recado do Grito dos Excluídos: vamos reformar a política e democratizar as comunicações

Em todo o país, milhares de pessoas
marcharam neste 7 de setembro, em uma atividade que há 21 anos se
contrapõe aos desfiles cívicos do dia da independência: a Marcha
dos Excluídos. Em Pernambuco, a atividade reuniu cerca de 5 mil
pessoas, que se concentraram na Praça Oswaldo Cruz e tomaram a
Avenida Conde da Boa Vista.

O Sindicato estava lá: “Estamos aqui
para dizer à presidente Dilma que a saída é pela esquerda. Que ela
tem que governar para aqueles que a elegeram. E quem elegeu a
presidenta Dilma foi a classe trabalhadora e os movimentos sociais.
Por isso é preciso que ela mude os rumos de seus governo. Não
aceitamos o ajuste fiscal nem aceitamos que, mais uma vez, os
trabalhadores paguem a conta da crise”, ressaltou a presidenta da
entidade, Suzineide Rodrigues, em um dos carros de som nos quais se
revezavam os representantes dos movimentos sindicais, sociais e
estudantis.

A reforma política e a democratização
nas comunicações estavam na base das reivindicações do Grito,
cujo lema também chamava atenção para a criminalização da
pobreza, militarização da polícia e matança nas periferias: “Que
país é este que mata gente, que
a mídia mente e nos consome?”

O
Sindicato dos Bancários levou às ruas as demandas da Campanha
Nacional, com denúncia dos sete pecados do capital, representado
pelos banqueiros: ganância, assédio, ostentação, terceirização,
discriminação, mentira, irresponsabilidade. Outras categorias
levaram para a marcha suas reivindicações, a exemplo dos
petroleiros, que denunciaram os ataques à Petrobras e alertaram: não
estamos à venda!

Também
não faltaram críticas a parlamentares como Eduardo Cunha, ao clamor
intolerante das elites ou às
manobras golpistas de impeachment. O
vermelho das bandeiras de centrais sindicais e movimentos sociais
juntou-se harmonicamente ao verde amarelo brasileiro ou ao arco-íris
da bandeira de Pernambuco, em uma marcha sem palavras de ódio ou de
incitação ao crime.

Histórico

O Grito dos Excluídos surgiu em 1995, como iniciativa das pastorais
sociais da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). A
partir de então, as pastorais cristãs aliaram-se aos movimentos
sociais para, partindo das reflexões propostas pelas Campanhas da
Fraternidade, trazer à tona as demandas da sociedade. O Grito passou
a ser um contraponto às festividades do Dia da Pátria, para
reafirmar a necessidade de uma verdadeira autonomia para o país, que
resulte em justiça social.

Para o presidente da CUT-PE, Carlos
Veras, o Grito dos Excluídos leva todos os anos um grande número de
pessoas às ruas, numa mobilização que tem três objetivos
principais: “denunciar o modelo econômico que, ao mesmo tempo,
concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão
e desigualdade sociais; dar visibilidade e voz aos grupos excluídos,
vítimas do desemprego, da miséria e da fome; propor alternativas ao
modelo econômico, de forma a desenvolver uma política de inclusão
social, com a participação ampla de todos os cidadãos e cidadãs”,
diz.

Expediente:
Presidente: Fabiano Moura • Secretária de Comunicação: Diana Ribeiro  Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  • Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Designer: Bruno Lombardi