Bancos rejeitam reivindicações dos bancários e terceira rodada de negociação termina em impasse

A terceira rodada de
negociações da Campanha Nacional dos Bancários terminou igual as
outras. Os bancos negaram todas as reivindicações apresentadas e as
discussões, até agora, não registraram um avanço sequer. Desta
vez, a Fenaban negou todas as demandas que tratam da igualdade de
oportunidades e a reunião realizada nesta quarta-feira, dia 9, foi
considerada péssima pelos sindicatos.

A presidenta do
Sindicato, Suzineide Rodrigues, que representa Pernambuco no Comando
Nacional dos Bancários, responsável pelas negociações com a
Fenaban, diz que as reivindicações sobre igualdade de oportunidades
visam corrigir discriminações históricas contra as mulheres, os
negros, os gays e as pessoas com deficiência.

“O ambiente
de trabalho nos bancos é um dos mais antidemocráticos do país.
Infelizmente, as reivindicações sobre igualdade de oportunidades
foram negadas pelos bancos, assim como as outras demandas discutidas
nas duas primeiras rodadas de negociação, que trataram de temas
como emprego, saúde, segurança e condições de trabalho”, diz
Suzineide.

Na reunião desta quarta, a Fenaban voltou a negar
os problemas, mas o ambiente bancário ainda está longe de ser
democrático. O II Censo da Diversidade (leia mais), conquistado pela categoria e
divulgado em 2014, pela própria Fenaban, revelou que as mulheres
ganham 22,1% a menos que os homens. A remuneração dos trabalhadores
negros também permanece desigual, 12,7% mais baixa na comparação
com brancos, apesar de 74,5% terem curso superior. Do universo de 511
mil bancários, apenas 3,4%, ou 17 mil trabalhadores, se
autodefiniram como pretos na pesquisa. Já os trabalhadores com
deficiência representam, atualmente, apenas 3,6% da categoria
bancária, comprovando que os bancos não estão respeitando a cota
de 5%, prevista na Lei Federal 8.213, promulgada há 24 anos.

Durante a negociação, o Comando Nacional dos Bancários
ressaltou a necessidade de democratizar o acesso ao trabalho para
mulheres, negros, indígenas, homoafetivos e trabalhadores com
deficiência, para que tenham igualdade de condições de
contratação, independentemente de idade e condições
econômicas.

Plano de Cargos e Salários – Diante da
falta de igualdade nos bancos, o Comando Nacional dos Bancários
propôs debater um Plano de Cargos e Salários (PCS) para todos, para
corrigir as distorções de mobilidade nas carreiras e um processo
seletivo interno para promoções. Os representantes dos
trabalhadores reivindicaram que os critérios passem a ser objetivos
para que todos os funcionários tenham igualdade de oportunidades.

A Fenaban usou de levantamento próprio para negar
discriminação, argumentando que das últimas promoções de cargos,
executadas pelos bancos, 54% foram de homens e 46% de mulheres, muito
próximo das porcentagens de distribuição de gênero no emprego
bancário.

Os bancários também defenderam o reajuste anual
de 1% (um por cento) para os funcionários a cada ano completo de
serviço. Os bancos responderam que promoções por tempo de serviço
não são mais utilizadas pelas corporações. O critério certo,
segundo a Fenaban, é a avaliação das competências e a
meritocracia.

Assédio sexual – A Consulta
Nacional dos Bancários 2015, realizada pelos sindicatos, identificou
que o assédio sexual preocupa 12% dos bancários que responderam ao
questionário. Para avançar no combate ao problema, os trabalhadores
querem instalação de um grupo de trabalho para produzir uma
campanha de prevenção, em conjunto com os bancos. Além de
acompanhar o processo de apuração e solução dos casos. A Fenaban
alegou que não quer causar pânico diante do tema e os debates não
avançaram.  

Veja como foram todas as negociações realizadas com a Fenaban até agora
>> Segunda rodada (2ª parte) 
>> Segunda rodada (1ª parte)
>> Primeira rodada 

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