
O
pacote apresentado nesta segunda (14) pelo governo Dilma foi o foco
das atenções e denúncias no ato realizado na manhã desta
terça-feira (15), na capital paulista. O Sindicato dos Bancários de
Pernambuco se uniu a bancários de outros estados do país e a outras
categorias para exigir que a conta da crise não recaia, como sempre,
nas costas dos trabalhadores.
“Somos
contrários a esta política
de recessão, de corte nos
investimentos
sociais e nos
direitos dos trabalhadores. Por
que não taxam as grandes fortunas? Por que não são os banqueiros
que pagam a conta da crise? Enquanto não se fizer reforma política
e se
democratizar
a comunicação, vai ser sempre assim: a elite econômica do país
usa a mídia pra fazer pressão e o Congresso pra derrubar qualquer
medida que a penalize. E o trabalhador sempre paga a conta”,
critica
a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues.
O
presidente da CUT,
Vagner Freitas, deu especial destaque a medidas relativas aos
trabalhadores públicos federais. “É um pacote que, de novo, tunga
os direitos dos servidores federais que estão em processo de
negociação e que teriam, a partir de janeiro, o resultado desse
processo, agora adiado por seis meses”, atacou. Referia-se
ao
anúncio de que o governo –
que
pagaria um reajuste aos federais em janeiro, conforme previsto em
acordo fechado entre as partes –
adiou o pagamento para agosto do próximo ano.
Vagner
bateu duro na falta de articulação política do governo Dilma. “O
que mais uma vez nos espanta é a falta de diálogo com a sociedade.
Não tem um fórum que foi criado pelo governo para discutir as
questões de salário, previdência, direitos? Antes de instalar o
fórum, que seria o lugar de discussão democrática com a sociedade,
o governo governa por pacote”.
Campanhas
salariais –
O
ato desta
terça (15)
tinha por objetivo fazer o lançamento unificado das campanhas
salariais das categorias que têm data-base neste segundo semestre.
Apesar
das críticas contundentes,
a manifestação também
teve
por lema a defesa da democracia, num claro posicionamento de que o
mandato da presidenta Dilma deve continuar até 2017, contra as
correntes que defendem a interrupção de seu governo.
“O
mandato da presidenta Dilma é legítimo, democrático e tem que
acabar em 2018 para que o Brasil não tenha soluções ainda piores
que esse pacote”, afirmou Vagner Freitas aos jornalistas. “Uma
coisa é a crítica que faço ao pacote, agora, golpe não vamos
tolerar”, completou.
Vagner
comentou também que o pacote anunciado ontem, embora voltado para as
demandas do mercado, não atinge seu objetivo e ainda contraria a
base social que elegeu Dilma. “Se
a intenção do governo com o pacote era tentar aliviar a pressão da
grande mídia, ela continua contrária ao pacote do mesmo jeito,
chamando-o de ‘incipiente’. Ou seja, não dialoga nem com o
empresariado, nem com os trabalhadores que são aqueles para quem o
governo deveria governar”, disse Vagner.