
Os
bancários do Itaú paralisaram nesta sexta-feira, dia 25, três
agências do banco na Avenida
Conde da Boa Vista, na
região central do Recife.
O objetivo do
protesto,
além de reforçar a pressão na Campanha Nacional, foi
chamar a atenção da população para a ameaça de fechamento de
agências por parte do Itaú.
Durante
a paralisação, o Sindicato distribuiu suco de laranja para a
população. “Foi a forma bem-humorada que encontramos para
denunciar que o Itaú espreme seus funcionários e deixa só o
bagaço. Precisamos de mais bancários para aliviar a sobrecarga de
trabalho, e não de mais demissões”, diz o secretário de Assuntos
Jurídicos do Sindicato, João Rufino.
O protesto foi
motivado por uma declaração do diretor
da Área de Varejo do Itaú, Marco Bonomi. Em
agosto, durante uma reunião de acionistas, ele
disse
que, em
três anos, o banco fecharia 15% das cerca 4 mil agências físicas
que possui em todo o país e, em 10 anos, metade das chamadas
“agências tijolo” deveriam ser extintas. O Itaú conta hoje com
90 mil funcionários, dos quais 60 mil em agências, portanto, a
estratégia poderia resultar no corte de 30 mil empregos.
Em
reunião nesta quarta (23) com os representantes dos bancários,
diretores do banco negaram a informação que, segundo eles, seria um
“mal entendido” (leia
mais).
“Só
que
já circulam informes sobre fechamento de várias agências em
Pernambuco”, comenta Rufino, que completa: “Apesar da garantia
dada pelo banco, vamos ficar atentos a qualquer movimentação do
Itaú que atinja o emprego dos bancários”.
Além da ameaça
de ampliação nas demissões, Rufino destaca outros motivos para
protesto. “Somos contra a precarização no atendimento com aumento
da terceirização. Somos contra a exploração de jovens que
executam serviço bancário no teleatendimento da Contax, sem os
diretos da categoria. Somos contra as metas abusivas e o assédio
moral, que fazem com que o Itaú seja um dos recordistas em doenças
ocupacionais”, diz o dirigente sindical.
>> Confira a galeria de fotos da paralisação no Itaú
Campeão
de demissões – Mesmo
sem o fechamento das agências, o número de demissões no Itaú já
é alto. Apesar do lucro de R$ 12 bi que o banco registrou nos
primeiros seis meses deste ano, nos últimos doze meses, o Itaú
eliminou 2.392 empregos e fechou 43 agências. Em Pernambuco, até
setembro, 52 bancários saíram da empresa – dos quais 41 foram
demitidos e 11 pediram afastamento.
A presidenta do Sindicato,
Suzineide
Rodrigues, ressalta que o Itau já é o recordista de demissões. “E
a situação vai piorar muito se o banco mantiver essa ideia de
fechar agências. Cortar custos no banco não pode ser sinônimo de
desemprego para os bancários”, explica.