
A greve dos bancários
em Pernambuco não para de crescer e já é considerada uma das
maiores dos últimos anos. Nesta quinta-feira, dia 8, terceiro dia de
paralisação, a greve ganhou a adesão de 80% dos 12 mil bancários
do Estado. Ao todo, foram fechadas 98% das agências de bancos
públicos e 68% de bancos privados.
Para a presidenta do
Sindicato, Suzineide Rodrigues, os bancários pernambucanos estão de
parabéns pela mobilização. “Os trabalhadores estão aderindo em
peso à greve nas agências, postos de serviço e nos prédios
administrativos dos bancos. Mesmo com toda pressão que os gestores
fazem sobre os funcionários, os grevistas se mantém fortes na
luta”, avalia.
Suzi destaca que a paralisação nos bancos
públicos já é de praticamente 100%. “Apenas algumas poucas
unidades estão funcionando em todo o estado”, diz. Nos bancos
privados, onde o assédio aos grevistas e as retaliações são
maiores, o nível de paralisação é surpreendente. “Sete entre
dez agências do Bradesco, Itaú, Santander e HSBC estão fechadas.
Os bancários estão mostrando porque nossa categoria é uma das mais
fortes do país”, explica.
A presidenta do Sindicato
ressalta que, além de Pernambuco, a greve está muito forte em todo
o país. “Os bancos empurraram os bancários para a greve,
apostando que o momento de crise econômica e política iria
desmobilizar nossa categoria. Apostaram suas fichas ao apresentar a
pior proposta de acordo da última década e perderam, porque os
bancários têm história e muitas conquistas, que só vieram com
luta e greve. E este ano não será diferente”, garante Suzi.
Para
ela, a greve deve se estender até semana que vem. “Já vamos
chegar ao final desta primeira semana de greve sem nenhum sinal dos
bancos para retomar as negociações. A última rodada foi realizada
em 25 de setembro. É um absurdo o desrespeito dos bancos com os
bancários, clientes e com toda a sociedade. Estamos abertos para
retomar as negociações e vamos fortalecer a greve a cada dia para
pressionar a Fenaban”, afirma.
>>
Confira a galeria de fotos do terceiro dia de greve
>>
Sindicato
protesta contra os bancos com distribuição de sopa nesta sexta
>>
Greve se fortalece no 3º dia com 10.369 locais de
trabalho fechados em todo o país
>>
Setores com lucros bem menores que os dos bancos
pagam aumento real
>>
Greve dos bancários ganha apoio internacional
Principais reivindicações
– Além do reajuste salarial de 16%, os bancários reivindicam
valorização do piso no valor do salário mínimo calculado pelo
Dieese (R$ 3299,66 em junho), PLR de três salários mais R$
7.246,82, combate às metas abusivas e ao assédio moral, melhores
condições de trabalho, fim da terceirização e proteção ao
emprego, vales-alimentação e refeição maiores.
Depois de
quase dois meses de negociações, os bancos ofereceram reajuste de
5,5% (quase a metade da inflação de 9,88% de agosto), que
representa perda real de cerca de 4%; e abono de R$ 2,5 mil, pagos
apenas uma vez e não incorporados ao salário.