Grevistas guardam, com saudade, histórias interessantes de paralisações do passado

Histórias de greve é
o que não faltam para os bancários que integram o movimento
sindical há décadas. Ivaldo Bezerra, nos anos 80, era funcionário
do Banorte. Em 1986, foi o único bancário, na agência em que
trabalhava, que participou da greve.

“Uma foto minha saiu
no jornal, segurando um cartaz pedindo o reajuste. Quando voltei ao
trabalho, os colegas ficaram tirando onda dizendo que eu seria
demitido”, conta. Mas, para a surpresa dos fura-greves, dois dias
depois, Ivaldo foi promovido.

“O banco não queria nem
saber se eu fazia greve ou não. Era eu que conhecia bem as
atividades daquele setor, então eles me promoveram. Vocês
precisavam ter visto a cara dos meus colegas, quando eles souberam da
promoção”, afirma, entre risos.

Ivaldo não é mais
bancário, mas continua contribuindo para o movimento sindical. Hoje,
presta serviço ao Sindicato como fotógrafo.

Criatividade
– As
greves do fim da década de 1980 e início da década de 1990, assim
como as de hoje, não eram
fáceis. Então, para
fortalecer o movimento paredista, os bancários tinham
que usar a criatividade.

Um empregado
da Caixa, que era gerente na época, conta que, durante uma das
greves, os bancários colocaram espreguiçadeiras na frente da
agência e deitaram-se para tomar sol. Foi a forma encontrada, com
bom-humor, para fechar a agência.

No fim desse dia, o gerente
regional fez uma reunião com os gerentes daquela área e questionou
por que a tal agência não tinha funcionado. “Explicamos que havia
um piquete na frente dela. O gerente rebateu dizendo que o que ele
tinha visto, quando passou por lá, eram apenas pessoas tomando sol,
numas cadeiras de praia”, conta o bancário, rindo ao lembrar do
ato.

Outro bancário da Caixa, hoje aposentado, conta que os
colegas que queriam furar greve, na agência em que ele trabalhava,
precisavam vencer uma verdadeira barreira humana. “Antes do horário
de abertura da agência, nós, cerca de 40 bancários, sentávamos na
frente da porta de entrada, um ao lado do outro, formando várias
filas de gente. Para entrar, era preciso pisar na gente”, conta o
bancário.

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