
Mais um assalto a banco
assustou o Recife, nessa quinta-feira, dia 12. Desta vez, a investida
criminosa ocorreu no Banco do Brasil, localizado na avenida Beberibe,
no Arruda. O Sindicato já havia solicitado o fechamento dessa
agência pelas fragilidades de segurança que ela apresentava (leia mais).
Algumas irregularidades foram sanadas, mas outras persistem. O
assalto evidencia a coerência do pleito do Sindicato.
A
investida contra o BB foi o 46º assalto a banco registrado em
Pernambuco só este ano. Em 2014 inteiro, foram 16 ocorrências,
quase um terço a menos.
Segundo João Rufino, secretário de
Assuntos Jurídicos do Sindicato e representante do Nordeste do
Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf, essa agência
do BB funciona de maneira irregular, sem o alvará da prefeitura do
Recife. O nome do banco na fachada permanece encoberto por plásticos,
como se ele ainda não tivesse aberto as portas.
“Fizemos
reuniões com a superintendência e o setor de segurança do Banco do
Brasil para mostrar como a segurança daquela agência era frágil.
Eles retificaram alguns itens, mas deixaram outros essenciais de
fora: os vidros nas fachadas e escudos de proteção dos vigilantes,
por exemplo, deveriam ser blindados e a agência devia ter, no
mínimo, quatro vigilantes, já que tem dois pavimentos”, afirma
Rufino.
O diretor explica que agências bancárias que
funcionam de maneira irregular são mais comuns do que se pode
imaginar. “Algumas chegam a funcionar sem a aprovação do plano de
segurança pela Polícia Federal. O Banco do Brasil e a prefeitura do
Recife são corresponsáveis por mais esse assalto. Os bancos têm
descumprido, sistematicamente, a legislação municipal de segurança
bancária; e a prefeitura tem se omitido em cumprir sua obrigação
de fiscalizá-los”, ressalta Rufino.
Violência –
Além da violência psicológica, esse assalto foi marcado por
agressões físicas aos trabalhadores. Logo
após as 16h, seis assaltantes fizeram reféns dois
funcionários terceirizados que estavam na frente da agência e dois
clientes que estavam saindo.
Como não conseguiram entrar
pela porta de detectores de metais, os assaltantes quebraram a
fachada de vidro da agência com marretas. “Eles seguraram uma das
bancárias pelos cabelos, a machucaram e a ameaçaram porque ela não
conseguia pular a bancada dos caixas. Outro bancário também sofreu
agressão física”, conta a diretora do Sindicato, Alzira
Cavalcanti, que esteve no local, logo após a ocorrência, junto com
os também diretores João Rufino e Maria José Leódido.
Os
bancários ficaram muito abalados. “Uma bancária que já havia
sofrido outro assalto estava chorando muito, e os funcionários
terceirizados que foram feitos reféns estavam bem abatidos”,
afirma Alzira. “Buscamos dar todo o suporte que pudemos, pois
sabemos que esses casos de traumas são muito delicados”, completa
a diretora.
A equipe de saúde especializada da Cassi estava
no local, logo após a ocorrência. A agência não tem previsão
para ser reaberta, pois isso só pode acontecer quando os bancários
forem considerados aptos, pelos profissionais especializados, a
voltar ao trabalho; e os itens de segurança danificados forem
substituídos.
“Ratificaremos, junto ao Ministério Público
do Estado, a necessidade de que os bancos sejam obrigados a cumprir
legislação de segurança bancária e continuaremos pressionando a
prefeitura do Recife para que ela cumpra seu papel de fiscalizar os
bancos”, reforça João Rufino.