
Manifestantes ocuparam ontem (5) um triplex, em Paraty (RJ), que pertenceria à família Marinho, donos da Rede Globo de Televisão. O imóvel é investigado na Operação Lava Jato e na Operação Ararath, ambas da Polícia Federal.
Com farofa, roupas de banhos e cartazes nas mãos os protestantes passaram o dia no local e, ironizando, cantaram a famosa canção de fim de ano da emissora: “hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier”.
“Sabemos perfeitamente que seu império foi erguido durante a Ditadura Militar com recursos que pertencem à sociedade brasileira. Tudo que é da Globo é nosso. Nós vamos invadir sua praia!”, afirmaram integrantes da Mídia Ninja, que acompanharam a ocupação.
Além das reivindicações por causa das suspeitas em torno do imóvel, os manifestantes também levantam a discussão das propriedades das praias brasileiras que, de acordo com a lei, são bens públicos.
Com documentos em nome de uma empresa offshores (abertas em paraísos fiscais), a mansão foi construída em área de proteção ambiental, segundo informou a servidora pública federal, Graziela de Moraes Barros, fiscal do Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente.
O caso já havia sido divulgado por veículos como o site UOL e a revista Carta Capital, em 2012. De acordo com o portal DCM, o imóvel custaria cerca de R$ 8 milhões e poderia ser vendido por até 80 milhões com o terreno.
Na semana passada, blogueiros denunciaram intimidação da Globo no caso da mansão, que, segundo afirmaram em nota, enviou notificações extrajudiciais pedindo a retirada do ar de conteúdo sobre o imóvel. A família Marinho afirmou, por meio de sua assessoria, que o imóvel “não pertence a qualquer membro da família Marinho” e negou perseguição aos blogueiros.
Na última sexta, outro protesto contra o silenciamento da imprensa sobre o caso ocorreu durante uma transmissão ao vivo da emissora e viralizou nas redes sociais. Durante cobertura ao vivo sobre depoimento realizado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um homem apareceu com um cartaz no qual questionava a ausência de notícias sobre a mansão em Paraty.
Outro ato sobre o assunto foi convocado pelo Facebook e deve ocorrer no próximo final de semana.