O
Sindicato sediou nesta terça-feira (22) um debate sobre a conjuntura
política e econômica do país. O professor e cientista político
Michel Zaidan conversou com sindicalistas e militantes sobre a defesa
da democracia e sobre os diversos atores que protagonizam as
tentativas de golpe institucional: Poder Judiciário, mídia,
Congresso Nacional, empresários. Também conversou sobre a crise
econômica e a instabilidade política. O debate foi promovido pelas
secretarias
Geral e de Formação da CUT-Pernambuco.
O
professor iniciou sua fala com um convite para que se pense porque é
importante para os trabalhadoires defender a democracia. Ele lembrou
que, em tempos de ditadura militar, se propagava o discurso de que
aos trabalhadores cabe a defesa de questões corporativas e que a
defesa da democracia cabe a partidos políticos e outras entidades.
“Mas
a democracia interessa sobretudo aos trabalhadores. Muito mais que
aos partidos políticos, à OAB ou a outras instituições. Quando
ela se interrompe, são eles os maiores prejudicados. Não apenas
porque isso traz um tempo de arrocho e perda de direitos, mas porque
o cerceamento da liberdade impede a organização e, portanto, os
avanços”, explica Zaidan.
O
cientista político alertou para os perigos de uma aliança de forças
que subverte a ordem democrática, por meio do aparato institucional.
“Temos um Poder Judiciário que não mais se coloca como a ‘boca da
Lei’, ou seja, como os responsáveis pelo cumprimento da Constituição
e das leis existentes no país. Temos um Poder Judiciário ativista,
que toma partido, que não é mais imparcial”, diz.
Segundo
ele, a aliança deste Poder Judiciário com a mídia tem gerado uma
inversão de funções. Ao invés da Justiça e da Polícia Federal
investigarem os fatos e produzirem as sentenças, eles sendo pautados
pelos jornais e televisões, que tomam o lugar das instituições
judiciais para investigar e até mesmo fabricar provas. “Primeiro a
mídia acusa, e já impõe sua condenação. Depois a Justiça
investiga. E você imagine o que é um Tribunal Midiático repetindo
a todo momento o seu pre-julgamento? Mesmo uma mentira repetida
tantas vezes vira verdade”, ressalta.
Ele
lembrou, para evidenciar a força dos meios de comunicação e os
danos que ela causa, o caso da Escola Base de São Paulo. Os donos da
escola foram acusados de pedofilia
e, na imprensa, uma enxurrada de notícias sensacionalistas, acusaram
os mesmos de praticar ações
perversas, além de drogar as crianças e fotografá-las nuas. Tempos
depois, a Justiça confirmou que tudo era inverídico. Mas a escola e
a saúde psíquica dos donos nunca foram recuperadas.
“O
efeito deste Tribunal sobre a opinião pública é irreparável.
Basta observar o que está acontecendo. As
pessoas
foram envenenadas. Não adianta conversar, não adianta
contra-argumentar… há
um ódio semeado pelo tribunal midiático que é difícil reverter”.
Zaidan
falou, ainda, sobre a participação dos empresários, da classe
média e do Congresso Nacional, “o pior de todos os tempos”,
nesta aliança para derrubar o governo.
E
também sobre a crise econômica: “Apoiar o mandato é diferente de
apoiar as políticas recessivas que vem sendo adotadas pelo governo.
Em todos os países, a receita para combater a crise é o
protagonismo do Estado no apoio à produção econômica e com
investimentos públicos que estimulem o consumo. Até nos Estados
Unidos é assim. O governo de lá injetou muito dinheiro para salvar
as montadoras. O receituário do FMI só vale para os outors, para
eles não”, explica Zaidan.