
O Brasil voltou a se pintar de vermelho
nesta quinta-feira (31). Nos vários estados do país, a militância
repetiu a façanha do dia 18 e encheu as ruas para defender a
democracia. “O que não é dito nos meios de comunicação, a
gente vai dizer nas ruas: o impeachment é um instrumento legal
quando existe crime comprovado. Não há acusação contra a
presidenta. Mas há crimes cometidos pelos que pedem o impeachment.
Cada vez mais, eles evidenciam que se trata de um golpe”, ressalta
a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues.
Suzineide e uma parte da diretoria do
Sindicato engrossou a marcha para Brasília, onde mais de 200 mil
pessoas deram seu recado. Outro grupo de diretores se juntou aos
milhares de pernambucanos que se concentraram na Praça do Derby
para, mais uma vez, lotar a Avenida Conde da Boa Vista. Aos gritos
de “Não vai ter golpe” e “A verdade é dura: a Rede Globo
apoiou a ditadura”, eles mostraram o que, de fato se esconde por
trás dos discursos de impeachment.
Vários grupos aproveitaram a
oportunidade para lançarem seus manifestos em defesa da democracia. É
o caso dos jornalistas e dos artistas de teatro de Pernambuco. O
jornalista Ivan Moraes, do
Centro de Cultura Luiz Freire e do Fórum Pernambucano de
Comunicação, ressaltou a importância do Manifesto dos Jornalistas:
“Há inclusive profissionais que estão dentro da grande mídia e
estão assinando o documento. Eles estão percebendo que não têm
liberdade para exercer aquilo que eles aprendem na universidade e o
que pensam sobre ética e jornalismo”, diz Ivan.
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Acesse aqui o Manifesto dos Jornalistas de Pernambuco em Defesa da
Democracia
Já
o diretor e ator de teatro, Manoel Constantino, ressaltou o perigo de
se retroceder no tempo e se perder aquilo que se conquistou com tanta
luta. “Brigamos muito, muita gente morreu para conquistar o Estado
democrático de Direito. Não podemos abrir espaço para que manobras
articuladas pela mídia e pela elite ponham nossa democracia em
risco. Nós, artistas pernambucanos, temos uma história de luta e
vamos continuar lutando”, rassaltou.
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Acesse aqui o Manifesto dos Artistas de Teatro de Pernambuco em
Defesa da Democracia
Mais
uma vez, se juntaram nas ruas jovens e idosos, estudantes e
trabalhadores, gente da cidade e do campo, integrantes dos movimentos
sociais, sindicais, estudantis; ou simplesmente militantes ou pessoas
que defendem a democracia. À frente da passeata, a turma do Levante
Popular da Juventude animou a todos com sua percussão e paródias.
Gritavam, dançavam e pulavam: “Para a vida melhorar, temos que nos
organizar, se o povo todo se unir, a Rede Globo vai cair!”
O
maestro Israel França emocionou a todos ao tocar, sobre o carro de
som, o Hino Nacional, enquanto chuvas de papel picado caíam dos
prédios da Conde da Boa Vista.
Houve
atos, também, em diversas cidades do interior de Pernambuco; nos
vários estados do país; e em 16 outros países.
Em
Brasília, o presidente da CUT, Vagner Freitas, lembrou: “Nós
conseguiremos barrar o golpe nas ruas, mas fundamentalmente no
Congresso Nacional. Temos que pressionar cada deputado e deputada
deste país dizendo que quem votar pelo impeachment é golpista. E
vamos mostrar a cara deles nos postes do país e em todas as redes
sociais. Pro
Temer, que fique claro, nós não o reconhecemos presidente, Temer
não foi eleito pelo povo e pra nós este golpista não comandará o
país”.
Às
vésperas de um 1º de abril, quando se lembra a passagem de um
momento triste da história brasileira – o início da ditadura
militar, o presidente da CUT ressaltou a importância da união das
esquerdas para que fatos como esses não se repitam: “Querem
instaurar a ditadura do Capital, da toga e da mídia. A
Globo quer provar que não é golpe, que é impeachment e está na
Constituição. Assim como diziam que em 1964 não era golpe, era
revolução. Vamos deixar bem claro que
não vai ter golpe! Não há nenhum motivo para a presidenta ser
impedida de governar, se não houver crime”.