No Dia de Luta contra o Golpe e
em Defesa de Direitos, que aconteceu na última terça-feira (10), as agências
bancárias localizadas na Avenida Conde da Boa Vista e o Banco do Brasil da
Guararapes paralisaram suas atividades, até o meio-dia, seguindo as diretrizes
do Sindicato dos Bancários de Pernambuco.
Os bancários, que sempre tiveram
tradição de lutar pela democracia, marcaram presença nos atos que aconteceram
durante o dia. Junto aos outros militantes que marcaram presença na “Praça da
Democracia” – Praça do Derby, muitas manifestações de apoio aos direitos
trabalhistas e contra o Golpe foram acontecendo, inclusive muita música, gritos
de guerra, literatura e debates, tudo isso em defesa dos cidadãos brasileiros
frente ao golpe político em curso no país.
Enquanto aconteciam os atos, a
diretoria do Sindicato dos Bancários se reuniu para discutir a conjuntura
política atual e o que tudo isso acarreta, caso o Golpe contra a presidenta
Dilma seja aceito, para os trabalhadores e em especial para os bancários.
Segundo a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, os debates
nas agências foram amplos. “Conversamos sobre o que está por trás desse golpe:
os interesses do grande capital, a disputa pelo pré-sal e os 55 projetos de lei
que tramitam no Congresso Nacional e que, se forem aprovados, representaram
enormes perdas de direitos para nós trabalhadores”, afirmou.
“Se o impeachment se consolidar, não sabemos se teremos mesa única
de negociação e, nem mesmo, campanha salarial, pois a perspectiva é de
encararmos um governo neoliberal, contrário aos interesses da classe
trabalhadora”, completou a presidenta.
Depois das reuniões nas agências,
o Sindicato realizou um ato em frente ao BNB da Conde da Boa Vista para
dialogar com bancários e com a população. O diretor do Sindicato, Luiz Higino
da Rocha, destacou a necessidade de mais mobilização dos bancários. “Alguns
colegas não estão se dando conta da real ameaça aos nossos direitos”, comentou.
A secretária-geral do Sindicato, Sandra Trajano, falou do que foi
ressaltado nas conversas com os bancários e a importância destes diálogos para
a democracia.
“Estamos diante de um momento que é preciso muita cautela. Nossa
conversa com os bancários foi necessária para deixar a categoria bem informada
sobre o que pode acontecer daqui pra frente. Tudo isso pela decorrência do
golpe contra a presidenta Dilma que, consequentemente, vai trazer perdas de
direitos para classe trabalhadora”, disse Sandra.
Ainda durante o Dia Nacional de Luta, diretores do Sindicato visitaram também a
Girec (Gerência de Recuperação de Crédito) da Caixa, setor que será extinto em
Pernambuco, caso a proposta de reestruturação do banco se concretize. A ideia é
que setor seja centralizado em estados do Sudeste. Neste caso, cerca de 80
funcionários em Pernambuco seriam realocados, e muitos deles perderiam
gratificações pelas funções que exercem.
“Não vamos enfraquecer a mobilização em decorrência dessa
suspensão. Se o momento é de indefinição, precisamos fortalecer nossa luta e
resistência pela Caixa 100%, em benefício dos empregados e da população. É isso
que temos dito aos colegas”, declarou a secretária de Finanças do Sindicato,
Jaqueline Mello, que também é empregada da Caixa.
Após cerca de um mês de intensas atividades, o Acampamento Popular
em Defesa da Democracia terá novas formas de organização. “Hoje não é um
encerramento, mas, sim, uma celebração. O acampamento cumpriu sua função de reorganizar
a esquerda em Pernambuco”, declarou o diretor do Sindicato e coordenador do
Acampamento, Fabiano Moura.
O coordenador do MST em Pernambuco, Jaime Amorim, ressaltou o
papel pedagógico do acampamento. “Ele mostrou que é possível a construção da unidade
política dos movimentos sociais e sindical de esquerda. Não sabemos ao certo o
que virá pela frente, mas a mobilização continua em todo o Brasil, nas grandes
e pequenas cidades”, destacou.
Representantes dos comitês que integram o Acampamento partilharam
as experiências vividas e convidaram todos continuar na luta pela democracia.