
A defesa dos bancos públicos, do emprego, dos direitos dos
bancários e da democracia foi a temática da mesa de abertura da V Conferência
Regional da Fetrafi-NE, ocorrida na noite desta sexta-feira, 8 de julho, na
Ilha de Itamaracá, Pernambuco. Após a abertura, o jornalista Renato Rovai fez
uma profunda análise de conjuntura para os delegados e delegadas, que seguiu-se
de debate até as 23h.
A mesa de abertura contou com representantes de sindicatos
da base da Fetrafi-NE, com a presidenta do Sindicato dos Bancários de
Pernambuco Suzineide Rodrigues, com o vice-presidente da CUT-PE Paulo Rocha, com o presidente da Fetrafi-NE Carlos Eduardo e
com o presidente da Contraf-CUT Roberto Van Der Oster (Betão).
A presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, abriu a
conferência saudando o compromisso das entidades e dos militantes sindicais de
levantarem o tema da defesa dos direitos já conquistados pela classe
trabalhadora e ressaltando o ambiente hostil onde se dará a campanha salarial
de 2016, com a crise econômica, as ameaças à democracia e o processo de impeachment
da presidenta Dilma Rousseff. “Vamos sair vitoriosos se mantivermos nossa histórica
unidade”, disse.
Roberto Van Der Oster lembrou os presentes das deliberações
do comando da Contraf, principalmente sobre a aprovação da mídia da campanha salarial
e do trabalho para fechar a minuta de propostas. Ele relatou a experiência de
luta de bancários argentinos neste ano. “Nós estivemos em Buenos Aires participando
da Aliança Latino-americana Em Defesa Dos Bancos Públicos. Os bancários da
Argentina conseguiram uma vitória no governo do Maurício Macri. Fizeram uma
campanha forte, conseguiram PLR que não tinha e também conseguiram readmitir 60
bancários do Banco Central que haviam sido demitidos. Qual a tática deles? Visibilidade
para a campanha, muita movimentação na rua, acampamento na frente dos locais
importantes para banco e ampliar a luta dos bancários para outros setores da
sociedade”, relatou Betão.
GOLPE – O
jornalista Renato Rovai fez uma avaliação do cenário político e econômico que resultou
no impedimento da presidenta Dilma Rousseff pelo Congresso Nacional. Para o
especialista, não há dúvidas de que se tratou de um golpe parlamentar e
judiciário financiado, principalmente, pelo setor financeiro. ” Um golpe
não ‘é’, um golpe ‘vai sendo’, vai se construindo”, analisa, para quem o
governo e os partidos de esquerda não se atentaram para o crescimento de uma
campanha midiática de ódio nas redes sociais contra sindicatos, movimento
sociais e as pessoas mais pobres.
“Em 2012, Dilma faz um lance ousado que é enfrentar os
altos juros dos bancos. Eles chegam a 7,25% e ficam assim por seis meses. Todos
os porta-vozes do poder econômico na imprensa começaram a disparar contra a
baixa dos juros do Brasil, o setor financeiro atacou”, relembrou.
Rovai sugere que os sindicatos promovam uma “nova
aliança” com outros movimentos, principalmente os de juventude. “Ao
mesmo tempo, estimulante e generoso, porque o movimento sindical é o irmão mais
velho, tem que abrir as portas, ajudar a construir”, explica. A
Conferência continua neste sábado, com plenária final no domingo pela manhã.


