
V Conferência Regional da
Fetrafi-NE (Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Nordeste),
realizada no último fim de semana, de 8 a 11 de julho, na Ilha de Itamaracá, no
litoral norte de Pernambuco, definiu propostas para a Conferência Nacional dos
Bancários.
Os bancários do Nordeste
estabeleceram como prioridade a luta em defesa dos direitos conquistados e do
emprego. Entre as principais propostas aprovadas na Conferência Regional estão
jornada de seis horas para todos, sem redução de
salário e a ampliação da estabilidade pré-aposentadoria de dois para cinco
anos. Além disso, foram estabelecidas estratégias de conscientização e
mobilização permanente para a manutenção dos empregos.
Sobre
a remuneração, foi estabelecido como proposta de reivindicação o índice de
reajuste de 5%, acima da inflação. Como não houve consenso sobre as propostas de
modelo de Participação dos Lucros e Resultados (PLR) e de remuneração variável,
essas questões serão definidas na Conferência Nacional dos Bancários, que ocorrerá
de 29 a 31 de julho, em São Paulo.
De
acordo com a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, que fez a abertura
da Conferência cujo tema foi “Unidade e resistência, nenhum direito a menos”, a
Campanha Nacional dos Bancários deste ano, na vigência do governo interino e
ilegítimo de Michel Temer, será um grande desafio para os trabalhadores.
“Não aceitamos perder
direitos. Primeiramente, queremos nossos empregos garantidos. Reivindicamos não
só ganho real nas nossas remunerações, queremos garantias sociais. Também não
aceitamos os ataques aos bancos públicos brasileiros, que são essenciais para o desenvolvimento social do país”, ressaltou Suzineide.
Após a abertura da
Conferência, na sexta-feira, dia 8, o jornalista Renato Rovai, editor da
Revista Fórum, fez uma análise da conjuntura política e econômica brasileira. Rovai ressaltou que não há dúvida de que o processo de impeachment da
presidenta Dilma Rousseff é um golpe parlamentar e judiciário, financiado
principalmente pelo setor financeiro.
No sábado, dia 8, o técnico
do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos)
do Rio de Janeiro, Fernando Sabino, fez uma apresentação cujo tema foi “Sistema
Financeiro e Novas Tecnologias”.
A diretora da Fetrafi-NE,
Tereza Souza, relata que a palestra de Sabino evidenciou que, se a categoria
bancária não fortalecer a mobilização, ela será extinta em breve. “Com o avanço
da tecnologia, se não nos mobilizarmos e fortalecermos a unidade, a categoria
diminuirá bastante, nos próximos anos, podendo chegar a ser extinta”, conta
Tereza.
De acordo com a
diretora, uma estratégia de resistência discutida durante a Conferência foi a
unificação do ramo financeiro. “Junto com os trabalhadores das financeiras,
teremos muito mais força de mobilização e pressão”, afirma Tereza.
Após a palestra,
representantes da Contraf (Conferência
Nacional de Trabalhadores do Ramo Financeiro), CUT (Central Única), CTB
(Central dos Trabalhadores do Brasil), Frente Popular Povo Sem Medo e Comitê
Mulher Democracia compuseram uma mesa temática para outra análise de
conjuntura. Em seguida, foram formados grupos de trabalhos para discutir os
três eixos da Conferência: emprego; saúde do trabalhador, segurança bancária e
condições de trabalho; e remuneração.
No último dia da
Conferência, domingo, dia 11, foram votadas as deliberações da V Conferência da
Fetrafi-NE, que serão apresentadas na Conferência Nacional dos Bancários. Para o presidente da
Fetrati-NE, Carlos Eduardo Bezerra, a conferência foi
um espaço de debates profundos dos trabalhadores da região.
“Fizemos debates amplos,
recebemos capacitações com subsídios técnicos de alto nível e estamos levando
para a Conferência Nacional propostas e polêmicas que contribuirão para uma
Campanha Nacional de muita luta. Os bancários do Nordeste têm a clareza de que
o sistema financeiro tem o dever de respeitar os trabalhadores”, avalia Carlos
Eduardo.
Representantes da Contraf,
entre eles o presidente da entidade, Roberto von der Osten, participaram do encontro.
Foi aprovada, durante o
encontro, uma moção pública contra a violência contra a mulher e a cultura do
estupro.
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