Grupo de defesa de estatais articula caravana contra projetos de Temer

Os integrantes do Comitê de Defesa das Empresas Públicas, mais conhecido como Comitê de Defesa das Estatais, se organizam para dar início a uma caravana e montar acampamento em Brasília no início de setembro, como forma de acompanhar a discussão de matérias que interessam diretamente ao movimento. Mais propriamente, para atuar contra três matérias legislativas: o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257, que prevê o congelamento do salário mínimo e altera regras referentes a servidores públicos, o Projeto de Lei (PL) 4567, que retira da Petrobras a exclusividade da exploração do pre-sal e, a partir desta semana, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita os gastos públicos, cuja comissão que vai apreciar o texto inicia os trabalhos hoje (22).

De acordo com o comitê, os rumos principais dessa mobilização, que tende a ser observado numa das últimas semanas de votação do Congresso Nacional antes das eleições municipais, serão definidos em detalhes a partir de reunião a ser realizada no Sindicato dos Policiais Federais de Brasília, amanhã, a partir das 14h. O movimento também será marcado, a partir desta segunda-feira, pelo trabalho de contato com os parlamentares e coleta de assinaturas para a realização de um plebiscito nacional sobre o pré-sal.

O comitê quer que o Congresso aprove proposta de consulta popular para que os brasileiros decidam, pelo voto, como devem ser aplicados no país os recursos provenientes das reservas do pré-sal. De acordo com a coordenadora do movimento, Maria Rita Serrano, é necessária forte participação dos trabalhadores nestas iniciativas, “pois só assim será possível impedir tantos retrocessos para a sociedade brasileira”.

Maria Rita Serrano, que é também representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa Econômica e diretora do Sindicato dos Bancários do ABC e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), afirmou recentemente que a privatização das estatais ameaça programas sociais diversos. Dentre os quais, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o Fundo Nacional de Cultura, o Esporte, Fundo Nacional de Saúde, Fundo Penitenciário e a própria Seguridade Social, entre outros.

Segundo ela, em relação à Caixa Econômica, por exemplo, uma das ameaças em curso diz respeito à quebra do monopólio do banco sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“Alerta e resistência”
“Como representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Caixa, destaco que, especificamente para os empregados do banco, a situação é de alerta e exige resistência. A Caixa teve lucro menor na comparação com o primeiro semestre do ano passado, mas, ainda assim, o montante do balanço neste último semestre atingiu R$ 2,448 bilhões”, afirmou.

“No entanto, mesmo lucrando, 2.235 empregos foram cortados em 12 meses (junho de 2015 a junho de 2016), sendo 1.304 em apenas três meses (de março a junho). E houve aumento no número de clientes – mais 4,231 milhões em 12 meses, passando a 85.080 milhões de clientes. Ou seja: há mais clientes, mas menos empregados para atendê-los, piorando o ambiente de trabalho e condições de saúde dos bancários”, disse Rita.

Segundo ela, lutar contra a privatização de serviços e empresas é a bandeira central do comitê. “Nossa proposta é que a bandeira dos bens e serviços públicos seja também a de todas as categorias em campanha salarial neste semestre. Só assim, unidos, poderemos reagir ao golpismo que almeja o retrocesso para atender a grupos privados e empresas multinacionais e ataca os direitos de todos os brasileiros”, afirmou.

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