Pela primeira desde o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, em
maio, dirigentes da CUT e da CTB participaram nesta quarta (14) de reunião com o
ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, ao lado de representantes das
outras centrais sindicais. Nas outras reuniões entre integrantes do
governo Temer e das entidades, as duas centrais haviam se recusado a
participar de diálogos com o governo interino, por considera-lo
ilegítimo.
Pela CUT, estiveram no encontro o presidente Vagner Freitas, a vice
Carmen Foro, e o secretário de Assuntos Jurídicos Valeir Erthle. “(A
presença) não significa que a CUT reconhece esse governo. Porém, a maior
central do Brasil não pode se furtar a representar o trabalhador. E
isso, diante do atual cenário, significa dizer que não vai negociar a
retirada de direitos, que vai organizar um Dia Nacional de Paralisação,
no dia 22, contra o desemprego, as reformas da Previdência e trabalhista
e qualquer ataque aos direitos conquistados nos últimos anos”, afirmou
Vagner.
O presidente da CUT, disse ter reafirmado ao ministro que “faz parte
de um governo que não deveria existir porque não foi eleito e, portanto,
não tem legitimidade” e que a central e os movimentos populares
“continuarão nas ruas pela volta do Estado democrático de direito”. O
dirigente acrescentou que a entidade não aceitará aumento da idade
mínima para aposentadoria, reforma que permita que negociação prevalecer
sobre a legislação nem aumento de jornada de trabalho. “Se o governo
mandar essas medidas para o Congresso Nacional, vamos para greve geral”,
disse.
Além de CUT e CTB, estiveram na reunião Força Sindical, CSB, Nova
Central e UGT. O presidente da CTB, Adilson Araújo, endossou o caráter
“ilegítimo do governo e a preocupação com o desmonte do Estado e a
precarização das condições de trabalho que vêm sendo sinalizadas. “A CTB
ressaltou que o diálogo não é uma camisa de força. Ao contrário,
aparentemente nesse primeiro encontro, o ministro se mostrou sensível e
preocupado com as propostas que vêm circulando na grande mídia. Contudo,
enfatizamos que, para a CTB, são cláusulas pétreas a defesa da
contribuição sindical, da unicidade sindical e do fortalecimento das
entidades sindicais”, afirmou.
Os sindicalistas questionaram o ministro sobre a terceirização e os
“ataques” ao funcionalismo público, por meio de projetos enviados pelo
governo ao Congresso Nacional, a exemplo da Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) 241 e Projeto de Lei Complementar (PLP) 257, que
retiram recursos de áreas estratégicas, como Saúde e Educação e
penalizam os servidores.
“Deixamos claro para o ministro que o governo ilegítimo de Michel
Temer está ambientado puramente nos interesses do mercado, do rentismo e
da especulação financeira. Assim sendo, não nos resta outra
alternativa, senão resistir a todo custo”, afirmou Araújo, que também
mencionou a paralisação programada para a próxima semana: “O dia 22 deve
servir como momento importante no processo de mobilização rumo à
construção da greve geral em defesa dos direitos e do povo brasileiro”.
