Aprovada Lei da Terceirização de FHC e de Temer



O governo do golpista Michel Temer conseguiu aprovar ontem, em votação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 4302 que permite a terceirização ilimitada nas empresas, inclusive na administração pública. Para o Sindicato dos Bancários de Pernambuco a votação é ilegítima, pois foi realizada a toque de caixa sem debate amplo com a sociedade.


Por 231 votos a favor, 188 contra e oito abstenções, a base aliada do governo Temer ressuscitou o PL 4302 defendido, em 1998, pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Para a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, a terceirização é mais um golpe contra os direitos das trabalhadoras e trabalhadores. “Não haverá garantias para nenhuma categoria, porque a terceirização ilimitada representa a precarização dos empregos formais e regulamentados”, afirma.

Antes do projeto, a Justiça do Trabalho só permitia a terceirização em atividades-meio, que não atendem ao principal propósito das empresas. A principal mudança se refere à permissão das empresas para terceirizar quaisquer atividades, inclusive as chamadas atividades-fim. Por exemplo, nos bancos era permitido a contratação de terceirizados para o serviço de limpeza, mas não de bancários. Agora, os caixas, gerentes, escriturários e demais bancários poderão ser terceirizados. 

Além da permissão para terceirizar a atividade-fim, o PL 4302 também amplia de três para seis meses o tempo máximo de sua duração, com possibilidade de extensão por mais 90 dias. Os defensores do projeto alegam que a medida é um incentivo à contratação, por não ter que cumprir as “rígidas” das leis trabalhistas.

“O que vai acontecer é justamente o inverso. As empresas irão demitir os trabalhadores que estão assegurados pelo regime da CLT para contratar terceirizados, com remuneração menor”, avalia a presidenta do Sindicato.

O texto aprovado inclui ainda a possibilidade de contratação de temporários para substituir grevistas, se a greve for declarada abusiva ou houver paralisação de serviços essenciais.

Em nota pública, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) criticou a postura do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que havia se comprometido com as centrais sindicais, em 13 de março passado, a suspender a votação do PL 4302 por pelo menos 30 dias, para que o debate sobre a terceirização pudesse ser feito em toda a sua dimensão.

“Num verdadeiro ‘passa moleque’, o presidente da Câmara não honra o compromisso assumido com as centrais e submete a voto um PL que é, na prática, uma mini-reforma trabalhista regressiva que permite a terceirização de todos os trabalhadores e todas as trabalhadoras, atacando todos os seus direitos como férias, 13º Salário, jornada de trabalho, garantias de convenções e acordos coletivos”, diz a nota da CUT.

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