Funcef contrata consultoria sem divulgar valor

Mesmo dispondo de uma gerência interna para fazer seu planejamento estratégico, a Funcef informou que apresentará no próximo mês um diagnóstico sobre o modelo operacional e organizacional, realizado pela empresa de consultoria Accenture Strategy. É a mesma envolvida na fraude contábil que levou à falência da Enron, gigante americana de energia, em 2001. Protegida por um acordo de confidencialidade, a contratação gerou dúvidas entre os participantes e uma série de questões permanece em aberto, a começar pelo valor do contrato.
 
A célebre empresa de auditoria norte-americana Arthur Andersen, que sempre figurou entre as grandes companhias globais de auditoria financeira, perdeu por completo a credibilidade ao participar do escândalo que culminou na falência da Enron e levou junto os fundos de pensão dos funcionários da companhia e outros investidores da mesma categoria, num rombo que, na ocasião, foi estimado em US$ 1,5 bilhão.

Os jornais da época mostraram que a Enron escondia os prejuízos e turbinava os lucros com a conivência da empresa de auditoria, a mesma que deveria periciar a saúde contábil da empresa. Com o abalo na reputação, a Arthur Andersen deixou de operar em auditoria, e a sua parte de consultoria adotou o nome de Accenture.
 
Segundo a Funcef, o diagnóstico contratado ajudará a “transformar a Fundação em uma empresa moderna, austera, eficiente e equilibrada”.  Iniciado em 8 de abril, o projeto deveria ser executado no prazo de 90 dias.
 
Funcef não revela valor do contrato

Além do questionamento sobre o porquê de a Fundação ter terceirizado esse serviço, já que dispõe de departamento específico para trabalhos dessa natureza, e do fato de a Fundação ter contratado uma consultoria com histórico de corrupção, a falta de transparência em relação aos gastos também gerou ruído. Até o momento, não foi divulgado o valor investido na contratação da empresa, informação que seria sigilosa por conta de um acordo de confidencialidade. Recentemente, segundo a imprensa, a Accenture, que também já prestou serviços à Previ, foi contratada pelos Correios por R$ 26 milhões. Entre 2014 e 2015, a Funcef gastou cerca de R$ 1,3 bilhão somente em consultorias empresariais.
 
“A Funcef contratou uma consultoria com histórico de corrupção, sob regime de confidencialidade, e se declara impedida de revelar até mesmo o valor da contratação. Não é uma conduta pertinente, muito menos num momento em que a Fundação precisa ser cada vez mais ser transparente”, questiona a diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus.

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