Nesta quarta-feira (6/7), o Comando Nacional dos Bancários avançou no debate sobre Igualdade de Oportunidades, tema da terceira rodada de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na Campanha Nacional 2022. A mesa teve como foco o combate ao assédio sexual.
A presidenta da Contraf-CUT e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, trouxe críticas contundentes aos recentes casos de assédio no sistema financeiro, em especial às graves denúncias contra o ex-presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, e lembrou que a categoria é referência no combate ao assédio sexual. “Crime tem que ser punido, aqueles que DYNAMICuam têm que responder por isso, e as vítimas têm que ser protegidas e acolhidas”, disse na abertura da reunião. “Sempre houve esse problema na categoria, mas se acentuou nos últimos anos, com o apoio do discurso do presidente da República, que é sexista, que é elitista, que é homofóbico. Acompanhamos casos absurdos, criminosos, de assédio no setor financeiro, e que temos que combater”, pontuou.
O comando apresentou, sem citar o nome de vítimas, vários casos de assédio relatados aos sindicatos. Em muitos deles, os assediadores foram protegidos pelos superiores e as vítimas, caladas ou até punidas com transferências.
“Impressionante e revoltante que, em pleno Século XXI, estamos convivemos com práticas tão atrasadas. As mulheres ganham menores remunerações, são menos promovidas, menos amparadas, menos respeitadas e sofrem mais assédios. Os bancos não podem ficar indiferentes diante de algo tão perverso. Por isso, esta mesa de hoje é muito importante, fundamental para barrar a misoginia existente no local de trabalho”, avalia o presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Fabiano Moura.
Segundo o levantamento feito pelo Think Eva e pelo Linkedin, chamado “Assédio no contexto do mundo corporativo”, no início de 2020, aponta que menos 47,12% das participantes que responderam à pesquisa afirmaram ter sido vítima de assédio sexual em algum momento.
A pesquisa da Think Eva/Linkedin apontou ainda que 78% das vítimas de assédio se sentem constrangidas em denunciar os abusos, por entenderem que há impunidade.
Pela proposta do Comando, as empresas deverão se dedicar: (1) à divulgação de cartilhas para o combate ao assédio sexual, promovendo a formação do quadro sobre o tema e fornecendo mecanismos de apuração a todas as denúncias de abusos contra funcionárias e funcionários; (2) ao acolhimento das denúncias e apuração bipartite, banco e sindicato; (3) à proteção e assistência às vítimas, com período de estabilidade e transferência, quando necessário para a garantia do bem-estar da vítima; (4) e à punição rígida dos culpados.
Caberá à empresa coibir situações constrangedoras, humilhantes, vexatórias e discriminatórias, promovidas por superior hierárquico ou qualquer outro empregado no ambiente de trabalho. Em casos denunciados e reconhecidos pela empresa, todas as despesas médicas deverão ser reembolsadas ao empregado pelo banco.
Após a apresentação das demandas do Comando, os bancos pediram uma pausa, e ao retornarem garantiram que irão priorizar o tema na negociação deste ano. “Os bancos assumiram o compromisso de avançar no combate ao assédio sexual,em especial aperfeiçoando ferramentas de prevenção aos abusos no ambiente de trabalho. É um avanço importante fruto deste debate”, afirmou Fabiano Moura.
O Comando apresentou a exigência da categoria nas ações para eliminar desigualdades no local de trabalho e prevenir distorções atuais, em busca da equidade em todos os segmentos. A entidade também cobrou que seja reafirmado, por parte das empresas, o compromisso de não discriminação, de respeito e da promoção de não discriminação por raça, cor, gênero, idade ou orientação sexual, no trabalho bancário.
PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
As demandas da categoria bancária também cobram a plena inclusão e integração de trabalhadores e trabalhadoras com deficiência, combate à sua discriminação e a garantia de seu trabalho em condições dignas e com respeito a suas limitações ou recomendações médicas.
Entre as ações necessárias para o cumprimento da cláusula, estão cursos de formação, conhecimento de Libras por pelo menos um funcionário por setor, promoção de acessibilidade universal, subsídio a aquisição de seus equipamentos (cadeiras de roda, muletas, prótese, bengala, óculos, aparelho auditivo, órteses) e a concessão de transporte especial e de financiamento de veículo.
ATAQUES DO GOVERNO
O Comando cobrou posicionamento contrário da Fenaban à Medida Provisória nº 1116. Acontece nesta quinta-feira (7), a partir das 14h, uma audiência no Congresso para debater a MP, que prejudica o acesso aos jovens e reduz direitos das mulheres no mercado de trabalho.