
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é um marco histórico de luta por direitos, igualdade e justiça. Para o Sindicato dos Bancários de Pernambuco, a data reforça a urgência do enfrentamento ao feminicídio no Brasil, uma violência extrema que interrompe vidas, destrói famílias e revela o quanto ainda é necessário avançar na construção de uma sociedade verdadeiramente igualitária.
O feminicídio, tipificado como crime no Brasil desde 2015, é o assassinato de mulheres em razão do gênero. A cada ano, os números seguem alarmantes, evidenciando que a violência contra as mulheres permanece como uma questão social que exige ações permanentes do poder público, das instituições e da população.
O número de feminicídios bateu recorde no Brasil em 2025: foram 1.568 casos de janeiro a dezembro, conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os registros oficiais de feminicídios apontam para quatro mulheres mortas por dia no ano passado. O total supera os 1.492 registros de 2024, a maior marca até então.
“No ambiente de trabalho, a desigualdade de gênero também se expressa em diferentes formas de violência, como o assédio moral e sexual, a sobrecarga e a desvalorização profissional. A luta por equidade salarial, respeito e condições dignas de trabalho também é parte do enfrentamento estrutural à violência de gênero”, destaca a secretária da Mulher do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Alzira Cavalcanti.
PROJETO BASTA!
No enfrentamento à violência doméstica, o Sindicato mantém ativo o canal de atendimento às bancárias do projeto “Basta! Não irão nos calar”, oferecendo assessoria jurídica e rede de apoio.
Até o momento foram atendidas, nacionalmente, 542 pessoas, 2 destes atendimentos foram para homens, parentes da mulher em situação de violência doméstica, desta forma, foram atendidas diretamente 540 mulheres. Em todos os atendimentos, foram registrados relatos de ao menos duas formas de violência doméstica e/ou familiar, são elas: física, psicológica, patrimonial, moral e sexual.
“O enfrentamento ao feminicídio é uma tarefa coletiva. Todos pela vida de todas. Não é uma pauta só das mulheres, é um compromisso de toda a sociedade. Precisamos envolver homens e mulheres na construção de uma cultura de respeito, igualdade e valorização da vida. O silêncio e a omissão também alimentam a violência”, afirma Alzira.
Entre os 518 processos ingressados a partir do Projeto Basta, 314 foram medidas protetivas de urgência, vigentes, com base na Lei Maria da Penha. Em apenas
em 5 casos ocorreram descumprimentos, o que representa apenas 1,5% dos casos. O projeto destinado às bancárias vítimas de violência doméstica também atua com ações relacionadas ao direito de família, nelas as demandas mais comuns são: Divórcio; Dissolução de União Estável; Partilha de bens; Guarda de filhos; e Pensão Alimentícia para os filhos.
Segundo Alzira, é fundamental fortalecer políticas de prevenção, ampliar a rede de proteção às vítimas e investir em educação para a igualdade desde cedo. O Sindicato reafirma seu compromisso histórico com a defesa dos direitos das mulheres bancárias e de todas as trabalhadoras, promovendo debates, campanhas de conscientização e ações formativas que contribuam para combater o machismo que sustenta a violência.
Neste 8 de Março, a mensagem é clara: combater o feminicídio é uma responsabilidade coletiva. Defender a vida das mulheres é defender a democracia, a justiça social e o direito de todas viverem com dignidade e segurança.