
Os bancários e bancárias de Pernambuco participaram nesta segunda-feira (20) do Dia Nacional de Luta em Defesa da Saúde, mobilização realizada em todo o país em preparação para a negociação sobre o tema que acontece nesta terça-feira (21), em São Paulo, entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
O presidente do Sindicato, Fabiano Moura, participará da mesa de negociação em São Paulo. “A questão da saúde é um dos temas centrais da nossa campanha este ano, pois a categoria está adoecida por consequência deste modelo que massacra o trabalhador e visa apenas a lucratividade. Nossa luta é muito mais do que por aumento real, nossa campanha defende a vida e a dignidade humana das trabalhadoras e trabalhadores do sistema financeiro”, afirma Fabiano Moura.
No Recife, o mutirão da Campanha Nacional dos Bancários 2026 percorreu agências e plataformas bancárias no bairro da Boa Vista, dialogando com trabalhadores da Caixa Econômica Federal, Santander, Bradesco e Banco do Brasil. Durante a atividade, dirigentes sindicais distribuíram materiais informativos e atualizaram a categoria e clientes sobre o andamento das negociações da campanha, que já passou por três rodadas de negociações (cláusulas sociais, emprego e igualdade de oportunidades).
A mobilização teve como foco reforçar a importância da pauta de saúde apresentada pelos bancários na minuta de reivindicações, como o combate às metas abusivas e ao assédio moral, a ampliação das políticas de prevenção ao adoecimento físico e mental, o fortalecimento dos programas de saúde e segurança no trabalho, a melhoria das condições de trabalho e a adoção de medidas efetivas para enfrentar o crescimento dos casos de transtornos mentais relacionados à atividade bancária.

João Rufino, dirigente do Sindicato, destacou que a defesa da saúde da categoria passa necessariamente pelo enfrentamento da forma como o trabalho é organizado nos bancos. “O assédio moral continua sendo uma das principais causas de adoecimento entre os bancários. A pressão permanente por resultados, as cobranças excessivas e as metas abusivas impactam diretamente a saúde mental dos trabalhadores. É fundamental que os bancos assumam responsabilidade sobre esse problema e adotem medidas efetivas para preveni-lo”, afirmou.

A dirigente do Sindicato, Bethânia Montarroyos, ressaltou que a mobilização busca fortalecer a cobrança por avanços concretos na mesa de negociação. “A saúde dos bancários precisa ser tratada como prioridade. Trabalhadores do setor bancário dominam o ranking de categorias com mais afastamentos por saúde mental, respondendo por cerca de 25% do total de afastamentos. É um número alarmante, mas além de números são pessoas. A Fenaban nega a relação deste adoecimento com o trabalho bancário. Mas, nosso Dossiê sobre o tema, construído com a UFRPE, traz relatos dolorosos que comprovam que essa realidade é fruto de um modelo de trabalho adoecedor”, destaca.
A categoria também reivindica avanços na proteção dos trabalhadores que atuam em teletrabalho, com garantias de privacidade, limites para mecanismos de monitoramento e ações voltadas à prevenção de doenças ocupacionais.
O tema tem ganhado cada vez mais relevância diante do aumento da pressão por resultados, das reestruturações no setor financeiro e das transformações tecnológicas que impactam o cotidiano de trabalho nas instituições bancárias.
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