Marcha das Vadias denuncia violência contra mulher e repudia CQC

Com apoio de mais de 6
mil pessoas na página do Facebook, a Marcha das Vadias levou cerca
de mil pessoas, na tarde deste sábado (4), para a Praça do
Ciclista, entre a Avenida Paulista e a Rua da Consolação, em São
Paulo.Versão brasileira do “Slut Walk” (movimento mundial
que denuncia a violência às mulheres), a manifestação terminou
com um protesto contra CQCs em frente ao Comedians — o clube de
comédia onde se apresentam Rafinha Bastos e Danilo Gentili,
integrantes do programa da Band.

Na porta do clube,
mulheres se manifestavam contra uma piada de péssimo gosto em que
Rafinha associa a prática estupro a mulheres feias. A piada foi
feita pelo integrante do CQC no seu solo de “stand-up” e
virou alvo de protestos sobretudo nas redes sociais, como o Twitter e
o Facebook.

A organizadora do evento, Madô Lopez, diz em seu
blog que já foi insultada pelas roupas que usava, em cantadas e
gracinhas feitas por homens. “Chega de sermos recriminadas e
discriminadas nas ruas porque usamos saias, leggings, regatas,
vestidos justos. Chega de sermos reprimidas e intimidadas porque
somos mulheres, porque somos femininas e porque queremos nos sentir
sensuais. Bora pras ruas, mulherada! Não é porque uso saia que sou
puta!”, escreve ela.

Além de São Paulo, o “Slut
Walk” já foi realizado em várias cidades dos Estados Unidos,
do Canadá e da Austrália. Nesta sábado, a marcha estava prevista
também em Copenhague (Dinamarca), Amsterdã (Holanda) e Estocolmo
(Suécia). A manifestação será realizada, ainda, em Belo Horizonte
(MG), no dia 18, à partir das 13 horas, saindo da Praça da
Rodoviária.

O evento foi criado após um representante da
polícia do Canadá ter declarado que as mulheres deveriam evitar se
vestir como prostitutas para não serem vítimas de estupro. As
declarações causaram revolta e geraram um grande movimento
organizado na internet, que começou no início de abril com o
protesto de Toronto e já aconteceu até agora em mais de 20 cidades
norte-americanas e australianas.

“Não é culpa dos
nossos vestidos, salto alto, regatas, saias e afins que todos os dias
mulheres são desrespeitadas e agredidas sexualmente. Isso é culpa
do machismo ainda muito presente na nossa sociedade. As mulheres do
mundo estão se unindo”, diz a apresentação do evento no site
Slut Walk Toronto.

Segundo o site oficial do “Slut Walk”,
o termo slut (puta, vagabunda ou vadia, em português) tem,
historicamente, conotação negativa e se tornou ferramenta de
acusação grave de caráter. “Estamos cansadas de sermos
oprimidas pela palavra vagabunda; de sermos julgadas por nossa
sexualidade e de nos sentirmos inseguras como resultado disso”,
assinalam as integrantes do movimento.

“Ter o controle das
nossas vidas sexuais não significa que estamos abertas à violência
e ao abuso, mesmo que façamos sexo por prazer ou trabalho”,
acrescentam elas, na página oficial. “Ninguém deveria comparar
gostar de sexo com atrair abuso sexual.”

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