Após 9 dias, polícia apura roubo no Itaú, o maior assalto a banco do ano

Com nove dias de atraso, a polícia
abriu na terça-feira (6) inquérito para investigar o maior roubo a
banco ocorrido no Estado em 2011: o dos cofres do Itaú da Avenida
Paulista, no centro de São Paulo. E descobriu que há vítimas que
não sabiam que seus cofres haviam sido arrombados. Imagens da
entrada do banco são, por enquanto, a principal pista para tentar
identificar os bandidos.

O crime aconteceu entre os dias 27 e
28 de agosto. Os bandidos chegaram ao banco às 23h50 do sábado.
Quebraram o vidro da agência e entraram no saguão principal.
Dominaram um vigia e seguiram para o primeiro subsolo, onde estavam
170 dos 2,5 mil cofres da agência. Ao todo, 151 cofres foram
arrombados. Os ladrões saíram às 9h40 do domingo.

Os
valores levados pelos criminosos são motivo de especulação na
polícia. Há relatos de vítimas que perderam fortunas de até R$ 5
milhões. “Isso pode virar o Banco Central de São Paulo”,
afirma um delegado do Departamento de Investigações sobre o Crime
Organizado (Deic), referindo-se ao maior ataque a um banco da
história do País, o furto de R$ 164 milhões do Banco Central de
Fortaleza, ocorrido em 2005, que até virou filme.

Quatro
pessoas procuraram a polícia ontem – uma delas foi direto ao
gabinete do secretário da Segurança, Antonio Ferreira Pinto. Nesse
caso, a pessoa queria saber para quem devia entregar a lista com os
objetos levados do cofre que ela alugava no banco.

“O
banco informou a delegacia, mas o caso ficou na normalidade
burocrática”, diz Ferreira Pinto. O Itaú diz que não tem se
manifestado sobre o roubo para proteger o sigilo dos
clientes.

Ladrões na dianteira – Só na segunda-feira
(5) o expediente com o boletim de ocorrência chegou ao Deic, enviado
pela delegacia dos Jardins por malote comum usado para a entrega e
troca de documentos entre os departamentos da polícia. A normalidade
burocrática deu aos bandidos uma semana de dianteira sobre a
polícia. “Tem um buraco no caminho”, diz o delegado do
Deic.

A polícia sabe que os bandidos – seriam 16 ao todo –
usavam jalecos cinza como se fossem prestadores de serviço atuando
na manutenção da agência bancária. O sistema de alarmes foi
desligado na central de monitoramento na hora do crime. Não se sabe
por que isso ocorreu.

Os bandidos estavam calmos e chegaram a
pedir lanches. Isso despertou na polícia a suspeita de que tivessem
apoio externo ou informações sobre o funcionamento da agência.
Funcionários do Itaú já foram ouvidos. Ninguém foi preso até
terça-feira (6).

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