Os
bancários completam nesta terça-feira, 11 de outubro, quinze dias
de greve, que já é considerada a maior dos últimos vinte anos.
Para pressionar ainda mais os bancos, que se mantém em silêncio
desde o início da paralisação, o Sindicato realiza um protesto na
agência da Caixa da avenida Guararapes, no Recife, a partir das 10h.
Durante a manifestação, os bancários vão distribuir pirulitos e
bolo de bacia para a população.
Segundo a presidenta do
Sindicato, Jaqueline Mello, a distribuição de doces é uma
referência ao Dia das Crianças, comemorado nesta quarta-feira, dia
12. “Nossa greve não atinge apenas os bancários, mas afeta também
todos os seus familiares, principalmente os filhos. Por isso estamos
fazendo uma referência ao Dia das Crianças”, explica
Jaqueline.
O protesto desta terça já é a quinta
manifestação realizada pelos bancários de Pernambuco desde o
início da greve, em 27 de setembro. O último protesto foi realizado
nesta segunda-feira, dia 10, contra a tentativa dos bancos, sobretudo
do Bradesco, de atrapalhar a greve usando a Justiça e a Polícia
(leia mais aqui).
Também nesta terça-feira, o Comando
Nacional dos Bancários se reúne em São Paulo para avaliar o
movimento e discutir estratégias para ampliar ainda mais a greve
(leia aqui).
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>> Veja galeria de fotos da greve
A greve – Os bancários entraram em greve no dia
27 de setembro, depois de rejeitarem a proposta de reajuste de 8%
feita pela Fenaban na quinta rodada de negociações, que significa
apenas 0,56% de aumento real. A greve da categoria já é a maior nos
últimos 20 anos e, só nesta segunda-feira, paralisou 9.090 agências
e vários centros administrativos de bancos públicos e privados em
todos os 26 estados e no Distrito Federal.
“Além de ser a
maior greve das últimas duas décadas em termos de adesão, nossa
paralisação também está se transformando na mais longa dos
últimos anos. A greve está entrando no 15º dia e não tem previsão
para acabar. Já estamos superando a paralisação do ano passado,
que durou 15 dias”, conta Jaqueline.
Os trabalhadores
reivindicam reajuste de 12,8% (aumento real de 5% mais inflação do
período), valorização do piso, maior Participação nos Lucros e
Resultados (PLR), mais contratações, extinção da rotatividade,
fim das metas abusivas, combate ao assédio moral, mais segurança,
igualdade de oportunidades, melhoria do atendimento dos clientes e
inclusão bancária sem precarização, dentre outros itens.
Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo
Financeiro (Contraf-CUT), a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban)
ainda não respondeu à carta enviada pelo Comando Nacional dos
Bancários no último dia 5 solicitando a retomada das negociações.
“Enquanto seguimos reafirmando nossa disposição para o diálogo,
os bancos e o governo enrolam e tentam confundir os bancários e a
sociedade. A tática deles não vai funcionar”, declara Carlos
Cordeiro, presidente da Contraf.
Assembleia
– O Sindicato realiza nova assembleia com os bancários nesta
terça, às 17h, para avaliar a greve e discutir os próximos passos
da luta. O encontro será na sede do Sindicato (Av. Manoel Borba,
564, Boa Vista, Recife).