Somente os cinco maiores bancos que operam no país – Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander – arrecadaram R$ 53,931 bilhões com receitas de tarifas e prestação de serviços nos primeiros nove meses de 2011, um crescimento médio de 13,52% em comparação com o mesmo período de 2010. Os ganhos serão ainda maiores quando forem divulgados os balanços anuais, a partir do final de janeiro. Os dados foram apurados pela Subseção do Dieese na Contraf-CUT.
Veja a tabela abaixo:
Receitas de tarifas e prestação de serviços
Em R$ Mil
Banco Setembro Variação
2010 2011
Itaú Unibanco 12.607.278 13.960.104 10,73%
Banco do Brasil 11.866.934 13.215.022 11,36%
Bradesco 9.632.121 10.815.721 12,29%
Caixa Econômica Federal 7.644.280 9.309.542 21,78%
Santander 5.757.235 6.631.127 15,18%
Total 47.507.848 53.931.516 13,52%
Fonte: Demonstrações contábeis dos bancos.
Elaboração: DIEESE Subseção CONTRAF-CUT/SP.
“Mesmo com todo esse faturamento monumental, que representa um dos principais componentes dos lucros no Brasil, os bancos se recusam a atender a reivindicação dos bancários de isenção das tarifas de transferências de recursos (DOC/TED), como forma de reduzir a circulação de dinheiro e combater o crime da saidinha de banco, critica Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária.
A proposta foi apresentada pela Contraf-CUT para a Fenaban, durante a mesa temática de segurança bancária, no dia 16 de março do ano passado. “Desde então, foi discutida em várias reuniões e na última vez os bancos alegaram que ainda não chegaram a um consenso”, lamenta o dirigente sindical.
Conforme estudo do Dieese, com dados do Sistema de divulgação de tarifas de serviços financeiros da Febraban, os bancos cobram tarifas de transferências por meio de DOC ou TED, cujos valores oscilam de acordo com a forma usada pelos clientes: presencial, eletrônica ou internet.
O preço cobrado diretamente no caixa, no modo presencial, fica entre R$ 13,50 a R$ 20 em quase todos os bancos.
Veja na tabela abaixo as tarifas cobradas pelos principais bancos:
Tarifas para Transferência de Recursos
Valores vigentes em 10/01/12
Banco Transferência por meio de DOC ou TED
Pessoal Eletrônico Internet
Itaú Unibanco 13,50 7,80 7,80
Banco do Brasil 13,50 8,00 8,00
Bradesco 13,50 7,80 7,80
CEF 13,50 7,50 7,50
Santander 13,40 7,90 7,90
HSBC 13,45 7,95 7,95
Banco da Amazônia 15,00 8,00 8,00
Banpará 13,00 8,00 8,00
Banco do Nordeste 20,00 0,00 7,00
Banrisul 15,00 7,00 7,00
Banestes 17,00 9,00 9,00
BRB 15,00 12,50 11,50
Alfa 8,00 SND 8,00
Citi 14,50 8,60 8,60
Safra 13,50 8,00 8,00
Mercantil do Brasil 19,00 9,50 6,00
Fonte: Sistema de divulgação de tarifas de serviços financeiros – FEBRABAN
Elaboração: DIEESE – Subseção Contraf-CUT
Os números contrastam com os da notícia da Agência Brasil, publicada no último dia 6, onde a Febraban destaca que as tarifas de transferência adotadas no Brasil estão entre as menores do mundo. “Pesquisa da consultoria internacional Accenture atesta que, entre 14 países, a tarifa de transferência no Brasil (R$ 7,50) ocupa o nono lugar”, afirma a reportagem. Os números da tabela revelam que a maioria dos valores cobrados supera R$ 7,50.
“Verificamos que muitos clientes, quando precisam efetuar transferências para contas em outros bancos, preferem efetuar saques para não pagar essas tarifas e acabam sendo alvos de assaltantes, diante da falta de privacidade na hora dos saques em quase todos os estabelecimentos financeiros”, destaca Ademir.
32 mortes em – Pesquisa feita pela Contraf-CUT e Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV), com base em notícias da imprensa e apoio técnico do Dieese, revelou que 49 pessoas foram assassinadas em assaltos envolvendo bancos em 2011 no País. Dessas, 32 morreram em “saidinha de banco”, quase todos clientes.
“Os bancos não estão fazendo a sua parte para garantir segurança para trabalhadores e clientes. A saidinha de banco é um crime que começa dentro das agências e postos de atendimento”, alerta o diretor da Contraf-CUT. “Proibir o uso do celular é uma forma de transferir a responsabilidade para o cliente e não resolve para garantir privacidade”, ressalta.
“Além da isenção de tarifas de transferências, queremos a instalação de biombos entre a fila e a bateria de caixas, a colocação de divisórias individualizadas e opacas entre os caixas, inclusive os eletrônicos, e a afixação de câmeras internas e externas de monitoramento em tempo real, dentre outras medidas”, conclui Ademir.