ARTIGO: Minha Revolta da Vacina

Por Israel
Pinheiro*

Trabalho na Caixa Econômica Federal e no dia
15/06/2012 me recusei a tomar a vacina contra a gripe que a Caixa
oferece para imunizar seus empregados. Boicoto a vacina como forma de
boicotar uma política discriminatória que a Caixa repete a cada
ano. Apesar dos prestadores de serviços estarem lotados nas unidades
da Caixa e expostos aos mesmos riscos que os empregados, a Caixa numa
atitude mesquinha e desumana se recusa a oferecer a vacina para
imunizá-los.

O vírus, que é uma forma de vida precária,
não faz distinção entre empregados e prestadores de uma empresa.
Porém, a direção da Caixa Econômica Federal, com todo seu aparato
e propaganda institucional de políticas afirmativas, de combate a
desigualdades, de tolerância e inclusão, patrocina uma campanha de
natureza segregacionista que remonta aos regimes e experiências mais
obscuros da história.

A direção da Caixa Econômica Federal
deve zelar por todos que trabalham nas unidades da empresa. Portanto,
se a Caixa por avareza não quer custear a vacina para seus
terceirizados, então ela deve exigir que as empresas que lhe prestam
serviço custeiem a vacina para os prestadores. O que não é
aceitável é ver uma empresa como a Caixa Econômica Federal, um dos
principais agentes executivos das políticas de transformações
sociais do país, lavar as mãos de maneira tão leviana diante de
uma questão tão séria como a saúde, como a vida.

Acho
necessário deixar claro que não tenho pretensão de ser a voz dos
terceirizados, eles não me delegaram poderes para isso, escrevo
movido por empatia, movido por um mal estar que me causam as
discriminações, porque sou testemunha ocular de um flagrante
processo de desumanização de uma classe. Escrevo para pedir
igualdade. Escrevo movido por um impulso humanista para dizer aos
empregados da Caixa que nossa saúde não é mais importante do que a
saúde dos terceirizados que trabalham conosco. Neste ponto nenhuma
relativização é admissível.

Por isso, quero propor o
boicote incondicional à vacina, até que ela esteja disponível a
todos que estão lotados nas unidades. Convoco todos os colegas a
dizerem um sonoro não à vacina. Convoco todas as entidades de
representação da categoria a defenderem essa bandeira. Peço a
todos os colegas que expressem seu repúdio a toda e qualquer prática
de segregação. Vacina para todos, já

* Israel Pinheiro é
bancário da Caixa na agência Vitória


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