
A Polícia Federal multou 13 bancos em R$ 3,557 milhões por
descumprimento da lei federal nº 7.102/83 e normas de segurança, durante
as três reuniões em 2012 da Comissão Consultiva para Assuntos de
Segurança Privada (CCASP), ocorridas em 12 de abril, 18 de julho e 29 de
novembro, em Brasília. O balanço do ano foi realizado pela Contraf-CUT,
que representa os bancários na CCASP.
Os bancos foram punidos em processos abertos contra agências e postos de
atendimento pelas delegacias estaduais de segurança privada (Delesp).
Dentre as principais irregularidades destacam-se o número insuficiente
de vigilantes, planos de segurança não renovados, alarmes inoperantes,
inauguração de agências sem aprovação de plano de segurança, uso de
bancários para transportar numerário, falta de coletes balísticos para
vigilantes e cerceamento da fiscalização de policiais federais.
O campeão disparado de multas em 2012 foi o Bradesco, com R$ 1,240
milhão. O valor é quase o dobro do vice-campeão, o Banco do Brasil, com
R$ 730,2 mil. Em seguida vêm o Itaú, com R$ 593,4 mil, o Santander com
R$ 446,6 mil, a Caixa Econômica Federal com R$ 175,9 mil e o HSBC com R$
170,7 mil.
“Não surpreende que o Bradesco tenha sido o banco mais multado pela
Polícia Federal em 2012. Apesar dos lucros bilionários, o descaso com a
segurança é gritante em todo país, com falta de equipamentos de
prevenção e abertura de unidades sem cumprir o que está previsto na
legislação federal. É também o banco que usa e abusa na utilização de
bancários para transporte de valores”, avalia o representante da
Contraf-CUT na CCASP e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança
Bancária, Ademir Wiederkehr.
“Esperamos que em 2013 os bancos consideram a segurança como prioridade e
façam mais investimentos, porque recursos financeiros não faltam”,
projeta o dirigente sindical. Os cinco maiores bancos do país lucraram
R$ 35,9 bilhões nos primeiros nove meses do ano, enquanto gastaram R$
2,3 bilhões com segurança e vigilância no mesmo período, segundo estudo
do Dieese com base nos balanços publicados. “Isso significa
investimentos de apenas 6,3% em segurança na comparação com os lucros, o
que é insuficiente para proteger a vida de trabalhadores e clientes”,
destaca Ademir.
O secretário de imprensa da Contraf-CUT lembra que pesquisa nacional
feita em parceria com a Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV)
revelou que houve 27 mortes em assaltos envolvendo bancos no primeiro
semestre. “É inaceitável que tenhamos mortes, feridos e pessoas
traumatizadas por falta de segurança nos bancos”, ressalta.
Nas reuniões da CCASP houve também aplicação de multas e outras
penalidades contra empresas de segurança, vigilância e transporte de
valores e cursos de formação de vigilantes, igualmente por
descumprimento da legislação federal e das normas da Polícia Federal.
“Além de mais investimentos dos bancos em segurança, esperamos que o
Ministério da Justiça finalize em 2013 o projeto de lei do estatuto de
segurança privada, atualizando a lei federal nº 7.102/83, garantindo
novos equipamentos de prevenção contra assaltos e sequestros e colocando
a proteção da vida das pessoas em primeiro lugar”, conclui o dirigente
da Contraf-CUT.