Com
o prolongamento e o nível de adesão à greve, o Sindicato dos
Bancários de Pernambuco reivindicou das autoridades competentes
providências para sustar a pressão dos bancos sobre os
trabalhadores para
tentar
esvaziar o movimento. Na sexta-feira, 27, ofícios nesse sentido
foram encaminhados, respectivamente, à Secretaria de Defesa Social
do estado (SDS)
e ao Comando da Polícia Militar, à Superintendência Regional do
Trabalho e Emprego (SRTE), ao Ministério Público e à Polícia
Federal.
Não são poucas as denúncias que chegam ao
Sindicato. As
atitudes dos bancos,
segundo o secretário de Formação, João Rufino, “atentam não só
quanto ao direito de greve, mas avançam sobre outros direitos
trabalhistas dos bancários, como também sobre o direito do
consumidor e à própria saúde e segurança dos trabalhadores”,
observa.
Ao secretário de Defesa Social, Wilson Damásio, e
ao Comando da Polícia Militar, foram pedidas providências para
coibir a ação indevida de alguns policiais. Chamados pelos bancos,
como Itaú e Bradesco, por exemplo, a atuar no caso dos interditos
proibitório, “tentam intimidar os grevistas mantendo,
desnecessariamente, a viatura parada em frente às
agências ou até se prestando ao papel de milícia para gerente
pressionar outros trabalhadores a furar a greve”, explica o
diretor.
Na capital
e região metropolitana, como em Vitória de Santo Antão, o Bradesco
tem intimado seus funcionários a entrarem de madrugada ou depois do
horário do que seria expediente (mais
aqui). Isso foi denunciado à SRTE e também à Polícia Federal:
“Há casos em que os bancário são retidos no local de trabalho,
sem intervalo para almoço. Outros em que são intimados a entrar por
uma porta lateral, depois das 16 horas, o que é um absurdo e
compromete a saúde e a segurança do trabalhador. Por outro lado,
fere as diretrizes do próprio Banco Central e vai contra o Plano de
Segurança Bancária definido pela PF”, observa Rufino.
Por
fim, o Sindicato acionou a Promotoria do Direito do Consumidor,
através do promotor Ricardo Coelho, com relação ao atendimento
seletivo promovido pelos bancos, não apenas em tempos de greve. A
política dos bancos, sobretudo os privados, é barrar o acesso do
cliente de menor poder aquisitivo ao interior das agências: “A
discriminação é maior durante a greve, pois os clientes com maior
movimento continuam privilegiados, mesmo onde só os gerentes estão
trabalhando”, afirma o diretor.