Sindicato participa de curso sobre comunicação sindical e popular

Foram quatro dias de
debates e reflexões: sobre comunicação, política, hegemonia, luta
de classes. Realizado na semana passada, o 19º Curso Anual do Núcleo
Piratininga de Comunicação contou com a participação de
dirigentes do Sindicato. Eles analisaram projetos alternativos de
comunicação, da mídia sindical e popular; discutiram as novas
formas de resistência política; refletiram sobre criminalização e
controle social e sobre a necessidade de uma nova legislação para
as comunicações.

O curso reúne anualmente, no Rio de
Janeiro, gente de diversas partes do país que contribui com a
construção da imprensa sindical, popular e alternativa. Para o
secretário de Administração do Sindicato, Epaminondas Neto, a
aprendizagem é também política. “Antigamente, a esquerda tinha
uma cartilha a seguir. Hoje isso não existe mais. As formas de
organização e resistência são múltiplas. Foi o que se viu nas
manifestações de junho”, diz o dirigente.

Este foi,
aliás, um dos focos de debate. Sob o tema “Juventude, Internet e
mobilizações”, o professor Bruno Rocha, da Unasul, o jornalista
Renato Rovai, da Revista Fórum, o cartunista Carlos Latuff e Rafael
Vilela, do Mídia Ninja, semearam as discussões. Em foco, as novas
ferramentas de promoção do diálogo, a forma de organização
múltipla e dialógica que as redes sociais ensejam e a necessidade
dos movimentos de esquerda se repensarem e reconstruírem o discurso
e a prática.

Novas formas de resistência foram vistas,
também, no debate sobre comunicação e cultura popular. É o caso
das rádios comunitárias, movimento hip hop e grupos de funk.
Adenilde
Petrina, que faz parte do Movimento Negro Unificado e do Coletivo
Vozes da Rua, abriu
as discussões sobre o tema com um amplo histórico das relações
casa grande-senzala. Ela
lembrou
a persistente repressão aos que vão de encontro ao sistema.

É
o caso de Repper Fiell e Mano Teko, que usam o hip hop e a funk como
formas de resistência. Mano Teko alertou, entre outras coisas, para
a forma como a mídia se apropriou do funk, retirando-lhe a carga
política. Nos morros e favelas, por sua vez, cabe aos policiais
decidir se uma festa ou evento cultural pode ser realizado. “Hoje
em dia no Santa Marta, por exemplo, temos festas de pessoas que vêm
de fora, cobram 100 reais para fazer um baile funk e esses são
permitidos. Então sabemos para quem são feitas essas festas”,
diz.

A criminalização da pobreza foi tema, também, de um
outro debate: “O medo como controle social”. Para
o
delegado Orlando Zaccone, a professora Daniele Brasiliense (UFF) e a
psicóloga Cecília Coimbra, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca
Mais, a chamada
pacificação esconde o massacre das classes populares. Eles
refletiram
ainda
sobre a forma como
os meios de comunicação determinam quem são os criminosos.

Uma
outra comunicação –
“Não
existe imparcialidade. A grande mídia está aí, diariamente,
desconstruindo os valores de solidariedade e democracia que nós
tanto
prezamos. O que existe é uma grande queda de braço e os sindicatos
têm
de
entrar com força nesta disputa”. Quem diz é o secretário de
Formação do Sindicato, João Rufino, que também participou do
curso.

A maneira como as grandes oligarquias se apoderam das
instâncias de comunicação foi tema exaustivamente debatido. Do Rio
Grande do Norte, o jornalista José Rebouças mostrou como os meios
de comunicação permanecem nas mãos dos coronéis – das famílias
Sarney, Collor ou dos grandes empresários da região. Do Sul,
Alexandre Haubrich revelou como a
lei antimonopólio é burlada com CNPJs diferentes e todos os
veículos são do grupo RBS, terceira maior organização de mídia
privada no Brasil.

Em discussão sobre a regulação do setor
de comunicações no Brasil, o professor da USP, Laurindo Leal Filho,
a jornalista do Intervozes, Bia Barbosa, a jornalista Claudia de
Abreu, e o jornalista Altamiro Borges traçaram um panorama da
regulamentação das comunicações na Europa, na América Latina e
no Brasil e defenderam a Lei
da Mídia Democrática,
projeto de iniciativa popular. Para eles, é urgente envolver a
sociedade civil na discussão de uma legislação que promova
diversidade de vozes, com existência de um órgão regulador.

Para
a secretária de Finanças do Sindicato, Suzineide Rodrigues, a
experiência do curso foi enriquecedora. “A gente percebe o poder
que a comunicação tem e como ela é um espaço de disputa de
hegemonia. Temos tantos jornais, tanta coisa sendo produzida
pelos sindicatos e movimentos sociais… precisamos sair
do próprio umbigo e investir,
juntos, em
canais alternativos de comunicação”, opina. 

Expediente:
Presidente: Fabiano Moura • Secretária de Comunicação: Diana Ribeiro  Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  • Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Designer: Bruno Lombardi