Teve início nesta terça, 12, em Brasília, a mesa de negociação sobre Cassi (Caixa de Assistência dos funcionários do BB), com entidades representativas do funcionalismo e Banco do Brasil. A criação da mesa específica foi um reivindicação da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), que coordenou os trabalhos, com a assessoria dos sindicatos, entidades associativas de funcionários da ativa e aposentados, como Anabb, Aafbbm, Federação dos Aposentados-Faabb, Afabb- SP e da Contec.
A secretária da Mulher do Sindicato, Sandra Trajano, funcionária do BB, ressalta a importância das negociações, uma vez que o a situação atual da Cassi exige o encontro de soluções, que não prejudiquem os associados. “A Cassi vem apresentando resultados negativos em suas contas ao longo dos últimos anos e há projeção de novo déficit em 2015. É importante apresentar propostas que não firam um dos princípios fundamentais de nosso plano, que é a solidariedade”, diz.
Na mesa de instalação das negociações o banco informou que inicialmente as discussões seriam com a governança da Cassi e que entende que as soluções para os problemas apresentados devem passar por uma mesa com as entidades e ampla representação do funcionalismo.
O banco apresentou um diagnóstico sobre a situação atual da Cassi, o déficit dos últimos quatros anos e, ainda, um quadro comparativo entre as despesas da Cassi com a média das outras entidades de autogestão.
O banco afirmou que os problemas de gestão apontados não se referem a um período específico e os representantes dos funcionários lembraram que os problemas de gestão são comuns entre indicados do banco e eleitos e alguns problemas são de longa data na Cassi, há muitos anos.
O banco reconhece que a atual diretoria tem tido coragem em atacar alguns problemas crônicos de gestão, mas que é necessário aprimorar mais ainda os processos, citando as questões envolvendo negociação com prestadores e regulação, algo que os eleitos também têm apontado nos boletins “Prestando contas Cassi”.
Alguns consensos foram apontados, como por exemplo, o de que é melhor investir na prevenção da saúde dos funcionários.
Nos debates também ficou acertado na continuidade dos trabalhos a presença dos dirigentes eleitos da Cassi, para auxiliar no debate.
Os representantes dos funcionários apontam que deve ser mantido o princípio da solidariedade e também a assistência aos funcionários ativos e aposentados pela Cassi. Neste ponto do debate, o banco afirma que o modelo de solidariedade deve ser aperfeiçoado, mas não apresentou nenhuma proposta específica sobre o tema.
O banco também fez uma apresentação sobre os valores da contribuição patronal e de funcionários à Cassi e seus impactos no balanço financeiro do banco.
Especificamente sobre o balanço, o banco informou que devido a Deliberação CVM 695/2012 que remete ao Sumário do Pronunciamento Técnico CPC 33(R1) do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata de benefícios a empregados, o provisionamento no balanço do banco referente aos benefícios da Cassi aos empregados chega ao montante de 5,8 bilhões de reais.
O banco afirmou que não há interesse em retirar a assistência aos funcionários aposentados, mas que para conseguir uma alternativa para se chegar a um consenso, o debate deve passar por encontrar alternativas para o tratamento do pós-laboral.
A mesa de negociações terá continuidade na próxima semana, com reunião marcada para o dia 19 de maio, também em Brasília. “É importante que os bancários acompanhem as discussões e se informem sobre as propostas”, afirma Sandra Trajano. Confira abaixo as propostas dos diretores eleitos para a caixa de assistência: