Os representantes dos bancários se reúnem nesta quarta, 10, com a direção do HSBC para discutir a venda do banco inglês e o risco de demissão para os trabalhadores no Brasil. As conversas com o banco foram reatadas depois da realização de paralisações em vários estados do país, entre eles Pernambuco. O presidente do banco no Brasil, André Brandão, confirmou que o banco encerrará suas atividades no País, mas negou que vá haver demissões
“A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) manifesta preocupação com o clima de intranquilidade gerado pela notícia sobre a venda de um grande banco no Brasil, o HSBC, que pode resultar em milhares de demissões. Na avaliação da Contraf-CUT, a instituição bancária deveria ser mais cuidadosa na concessão de entrevistas para que o clima de insegurança não se espalhe entre a clientela e os trabalhadores.
Ao anunciar ontem que o HSBC encerrará suas atividades no Brasil e na Turquia, até o dia 31 de dezembro de 2016, a imprensa informou que o banco inglês reduzirá em 50 mil o número de trabalhadores em suas agências espalhadas pelo mundo. O banco alega, no entanto, que palavras de seu presidente-executivo, Stuart Gulliver, teriam sido ‘distorcidas’.
Não cabe à Contraf-CUT interferir em questões relativas à venda, incorporação ou fusão de bancos – isto é um assunto que diz respeito às regras do sistema financeiro brasileiro. Cabe à Contraf-CUT, suas federações e seus sindicatos, lutarem pela manutenção do emprego dos trabalhadores, defender os direitos e garantir que nosso emprego seja decente.”
SEM DEMISSÕES – A Contraf entrou em contato com o presidente do banco no Brasil, André Brandão. Ele negou as demissões, mas confirmou que o banco encerrará suas atividades no País. Brandão disse para os dirigentes da Contraf que o banco reduzirá em 50 mil o número de seus funcionários no mundo, mas não fará demissões. Esses trabalhadores deixariam de pertencer aos quadros do HSBC e, depois da venda consolidada, integrariam a nova instituição bancária controladora. O HSBC também informou que pretende manter um atendimento às grandes corporações no Brasil e essa informação, dada pelo presidente mundial do banco, também teria sido distorcida. “Nós vamos acompanhar passo a passo a situação dos bancários. É importante que todos estejamos atentos e mobilizados para garantir que não vá haver demissões nem perda de direitos”, ressalta o diretor do Sindicato e da Contraf-CUT, Alan Patrício, que é funcionário do banco. Ele completa: “Assim que soubermos quem será o novo controlador do banco, vamos procurá-los para conversar sobre a situação dos empregos, as agências bancárias e a situação dos clientes aqui no Brasil”. MOBILIZAÇÃO – Em Curitiba, cidade onde fica a sede do HSBC (com cerca de seis mil bancários), os bancários estão mobilizados diante do risco de demissões. “O objetivo do Sindicato é que a sociedade e demais instituições também entrem nessa briga, na defesa do emprego e da moralidade, pois o banco também tenta fugir das investigações de uma CPI. E, na mesma medida, espera-se que o Banco Central não permita a aquisição por um banco de bandeira nacional, como o Bradesco, Santander e Itaú”, declarou Elias Jordão, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba. Na avaliação da coordenadora nacional da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do HSBC, Cristiane Zacarias, se isso acontecer, os reflexos seriam prejudiciais ao trabalhador. “Não queremos que os três maiores bancos privados do Brasil assumam o HSBC porque sabemos que isso vai acarretar um grande número de demissões. Estivemos em Brasília, reunidos com o Cade e o BC, para mostrar o impacto social que isso iria gerar”, revelou. O movimento sindical cobra ainda mais transparência e diálogo por parte HSBC. “Enquanto o banco se reúne com os acionistas para apresentar lucro para eles, nós nos reunimos com os trabalhadores para que a nossa pauta seja ouvida. Se há um banco estrangeiro interessado, ele deve ser considerado. O banco não pode simplesmente dar as costas àqueles que garantiram e se esforçaram para que ele tivesse lucro”, opina Cristiane Zacarias.