As
taxas de juros das operações de crédito para pessoas físicas e
jurídicas subiram em janeiro pelo 16º mês consecutivo e atingiram
o maior nível desde fevereiro de 2005, segundo pesquisa da
Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e
Contabilidade (Anefac).
No
caso das pessoas físicas, mais uma vez houve aumento nos juros em
todas as seis linhas pesquisadas (juros do comércio, cartão de
crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de
veículos, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo
pessoal-financeiras). O juro médio subiu 0,11 ponto porcentual (pp)
em janeiro ante dezembro, para 7,67% ao mês (142,74% ao ano),
igualmente o nível mais alto em 11 anos.
No
cartão de crédito, a taxa subiu 0,21 pp, para 14,56% ao mês
(410,97% ao ano) em janeiro, permanecendo no maior nível desde
outubro de 1995. Em relação aos juros do comércio (crediário),
houve alta em todos os 12 tipos de lojas pesquisadas, com a média
geral subindo 0,10 pp, para 5,60% ao mês (92,29% ao ano).
A
taxa mais alta foi registrada em Minas Gerais, com 5,71% ao mês
(94,71% ao ano). Nos financiamentos de veículos, o prazo médio se
manteve em 36 meses.
Entre
as pessoas jurídicas, houve alta nas três linhas (capital de giro,
desconto de duplicatas e conta garantida). O juro médio avançou
0,06 pp no mês passado ante o anterior, para 4,33% ao mês (66,31%
ao ano), o maior nível desde fevereiro de 2009.
No
caso da conta garantida, a taxa subiu 0,10 pp, para 7,40% ao mês
(135,53% ao ano), a taxa mais alta desde setembro de 1999.
Segundo
a Anefac, as altas podem ser atribuídas a alguns fatores, como o
cenário macroeconômico que aumenta o risco de elevação da
inadimplência e o avanço das taxas de juros futuros por conta da
turbulência política e econômica. “A tendência é de que as
taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos
próximos meses”, diz a entidade.
A
Anefac lembra que, considerando todas as elevações da Selic
promovidas pelo Banco Central desde março de 2013, houve aumento de
7,00 pontos porcentuais (ou alta de 96,55%) na taxa básica de juros,
para o nível atual de 14,25%. No mesmo período, a taxa de juros
média para pessoa física apresentou elevação de 54,77 pp (
62,26%). Já na pessoa jurídica houve alta de 22,73 pp ( 52,16%).