
O Comando Nacional dos Bancários está
reunido desde a noite desta segunda-feira (23) para traçar
estratégias de organização que se contraponham ao avanço da
direita no Brasil e no mundo. A reunião, que conta com a
participação de representantes dos bancários de todo o país,
termina na tarde desta terça, com elaboração de um plano de ação
e calendário de atividades.
>> Comando Nacional dos Bancários aprova calendário da Campanha 2016
Para a presidenta do Sindicato,
Suzineide Medeiros, que representa Pernambuco no Comando, é preciso
ampliar a unidade e organização dos trabalhadores para enfrentar o
cenário adverso: “Temos o Congresso Nacional mais conservador dos
últimos tempos, com vários projetos que representam perdas de
direitos para os trabalhadores e prejuízos para a soberania nacional
e para os direitos humanos. Sindicatos emovimentos sociais precisam
estar juntos para se contrapôr a isso”, opina Suzineide.
A noite da segunda-feira e a manhã
desta terça foram dedicadas à análise desta conjuntura
desfavorável. No primeiro dia de encontro, quem conversou com os
bancários foi o argentino Guilhermo Maffeo, recém-eleito diretor
regional da UNI Américas Finanças. Ele enfocou a importância de
fortalecer os elos entre os sindicatos da América Latina para
enfrentar os avanços da direita na região e no mundo.
Como exemplou, citou fato ocorrido no
ano passado nna Costa Rica, onde um projeto ameaçava as empresas
públicas. Representantes da UNI Finanças foram até lá e ajudaram
a organizar uma marcha, que foi a primeira depois de 20 anos sem
atividades na Costa Rica. “A primeira marcha teve 200 bancários.
Um mês depois, mais de 15 mil trabalhadores, de várias empresas
públicas foram às ruas e o movimento acabou enterrando o projeto”,
diz.
Para falar sobre o avanço conservador,
Maffeo fez um balanço dos dois primeiros meses do governo Macri,
primeiro governante de direita eleito democraticamente em seu país.
Punição ou demissão de funcionários públicos contrários ao
governo; fim dos programas sociais e do acesso ao crédito; e
restrição das liberdades de protesto são alguns exemplos. Tudo
isso com a aliança dos meios de comunicação.
“Na
primeira semana de governo, os bancários souberam que o Banco
Central despediria 47 trabalhadores. Esses 47 trabalhadores
pertenciam a oficinas que fecharam, como a defesa do consumidor e
defesa dos direitos humanos e garantia. Fizemos 35 dias de
manifestação para defender esses companheiros e saímos num só
meio de comunicação. Há 5 dias fizemos um acampamento, 24 horas
por dia, para não deixar sair dinheiro do Banco Central e não
saímos em nenhum meio de imprensa”, relatou Maffeo.
Segundo
ele, um projeto do governo tem a intenção de acabar com protestos e
manifestações. “Eles querem criar um lugar para se protestar
isoladamente. Há ainda um protocolo que determina que quando os
policiais chegarem a um protesto de rua, os sindicalistas têm 5
minutos para liberar a via. Se em 5 minutos as vias não foram
liberadas, a polícia tem permissão para reprimir a manifestação
com bala de goma. Mais 5 minutos, a polícia tem que avançar com os
tanques e, em última instancia, usar armas de fogo”, conta o
dirigente.
Na
manhã desta terça, foi a vez do sendor Roberto Requião (PMDB)
falar sobre a conjuntura nacional. Para ele, seria importante que
fosse criado um Pacto Nacional para enfrentar o avanço das forças
conservadoras, que impõem sua pauta diante de um governo acuado.
Como exemplo deste ressurgimentodo neoliberalismo, que ele chama de darwinismo de mercado,
ele cita o PLS 555, que ameaça as empresas públicas brasileiras; e
as tentativas de acabar com o regime de partilha do Pré-sal.
Na
tarde desta terça, serão traçados um Plano de Ação e um
calendário de atividades para a Campanha Nacional. “Temos que
começar cedo. Se, no ano passado, a Campanha foi difícil, até
2018, o cenário não vai mudar. Precisamos nos fortalecer e nos
preparar para uma batalha dura. Nosso lema é a defesa da democracia
e nenhum direito a menos!”, reforça a presidenta do Sindicato
Suzineide Medeiros