
O Sindicato realizou nova reunião com empregados da Caixa que exercem a função de caixa executivo. Os bancários relataram para diretores do Sindicato problemas enfrentados nas unidades de trabalho. Juntos, eles estabeleceram linhas de ação para garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados. O encontro foi nesta terça-feira (12). O Sindicato enviará um documento à Comissão de Empregados da Caixa relatando o que está acontecendo nas unidades de trabalho de Pernambuco.
Recentemente, a Caixa modificou o seu normativo: extinguiu a função de caixa executivo e criou o chamado “caixa minuto”. De agora em diante, o provimento da antiga função de caixa executivo ocorre, exclusivamente, por meio de designação por minuto.
Ou seja, as vagas geradas pela saída de funcionários que possuem a função de caixa executivo não serão ocupadas de maneira permanente por outros funcionários. Empregados sem comissão exercerão a função pelo tempo que for necessário, a depender da demanda do dia, e receberão o pagamento proporcional ao exercício da função. Daí, o termo “caixa minuto”.
A presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, ressalta que a entidade está empenhada na luta contra a precarização das condições de trabalho na Caixa. “O Sindicato é totalmente contra essa mudança, que representa enormes perdas de direitos para os bancários. Tomaremos todas as medidas cabíveis para combatê-la”, avalia Suzineide.
A empregada da Caixa, Candida Cruz, que é caixa executiva há sete anos e participou da reunião dessa terça-feira, relata que, na prática, o caixa minuto já existe há muitos anos na Caixa. “A mudança no normativo representa a extinção da função do caixa executivo. A partir de agora, o empregado vai trabalhar como caixa sem a experiência e o respaldo financeiro necessário para cobrir possíveis prejuízos comuns ao exercício da função”, conta Candida.
De acordo com a secretária de Comunicação do Sindicato, Daniella Almeida, que também é empregada da Caixa, a institucionalização da função do caixa minuto está gerando tensão entre os trabalhadores. “Os colegas estão temerosos com a possibilidade de descomissionamentos, pois sabe-se que o caixa minuto é mais barato para a Caixa. Essa iminência de perder a comissão pode gerar ainda mais assédio moral e pressão dos gestores sobre os caixas”, explica Daniella.
Outros problemas relatados pelos empregados da Caixa, durante a reunião, têm relação com o sistema de avaliação conhecido como Qualicaixa, que utiliza critérios de Gestão por Desempenho Pessoal. “A Comissão de Empregados da Caixa sempre foi contrária a esse sistema. Os critérios de avaliação dos caixas executivos, por exemplo, são quantidade diária de autenticações, tempo que levam para abrir o caixa e respeito à proibição de fazer hora-extra”, cita Daniella.
Além disso, gestores da Caixa têm orientado os caixas executivos, que tem jornada diária de trabalho de seis horas, a fazer intervalos de uma hora para almoço. Essa prática é irregular, pois fere o que determina a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). “Somos proibidos de fazer hora-extras, mas orientados a fazer intervalo de uma hora, para ampliar o período em que permanecemos na agência”, completa Candida.
Mais contratações – Número de funcionários insuficiente para demanda de trabalho nas agências da Caixa é uma realidade em todo o Brasil. A Caixa tem, inclusive, agências com novo layout, as chamadas agências virtuais, que contam com apenas sete funcionários.
“Nessas agências, todos os empregados acabam desempenhando todas as funções, e há sempre setores desfalcados. É difícil almoçar ou ir ao banheiro, sem receber reclamações dos clientes”, conta Saulo Maranhão, que é delegado sindical da Caixa da Madalena, uma das chamadas agências virtuais no Recife.
De acordo com o delegado sindical, a reunião dessa terça-feira foi muito importante para organizar a mobilização dos empregados da Caixa junto ao Sindicato por melhores condições de trabalho. “O Sindicato tomou a frente na luta contra os problemas estruturais da Caixa, entre eles a necessidade de mais contratações”, completa Saulo.
Encaminhamentos – Após a reunião, o Sindicato enviará um documento à Comissão de Empregados da Caixa, relatando o que está acontecendo nas unidades de trabalho de Pernambuco; agendará uma reunião com o superintendente regional da Caixa no Recife, para conversar sobre questões locais, já que as metas das agências são decididas em cada região; e avaliará quais as medidas cabíveis para acionar o Ministério Público e a Justiça do Trabalho, nos casos em questão.