Acabou a greve dos bancos privados, BNB e BB. Caixa permanece com paralisação por tempo indeterminado

Após
debate acalorado, é aprovado por maioria ampla de votos o
encerramento da greve dos bancários. A decisão é retirada em
assembleia da categoria, realizada na noite desta quinta-feira (6),
para apreciação da proposta apresentada pela Federação Nacional
dos Bancos (Fenaban) ao Comando Nacional de Greve na décima rodada
de negociação. As agências voltam a funcionar normalmente neste
sexta-feira (07).

Os
bancários dos bancos privados, do Banco do Nordeste do Brasil (BNB)
e Banco do Brasil (BB) votaram quase em sua totalidade pelo fim da
greve. Já os funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) votaram
pela permanência da greve com placar apertado de 100 votos a 94
contra. Mais de 500 trabalhadores participaram do pleito.

Após
30 dias de paralisação e 10 rodadas de negociação, a oferta dos
bancos para o ano corrente consiste em reajuste de 8%; abono de R$
3.500,00; 15% no vale-alimentação; 10% no vale-refeição; 10% no
auxílio creche-babá; licença paternidade de 20 dias; abono
integral dos dias parados e garantia de emprego através da
realocação e requalificação de funcionários. Para 2017, garantia
de reajuste conforme Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC)
e mais 1% de aumento real nos salários e em todas as verbas.

Para
o Comando, a campanha de 2016 foi a mais difícil da história da
categoria em razão das adversidades políticas econômicas com
ameaças graves aos direitos dos trabalhadores, mas, também uma das
mais gloriosas batalhas Inicialmente, os banqueiros tentaram impor um
modelo copiado da década de 1990 com redução dos salários e
elevação dos lucros líquidos do setor financeiro. Apresentaram
assim um reajuste de 6,5% e depois aumentaram pifiamente para 7%. Os
trabalhadores rejeitaram a oferta e intensificaram a greve que chegou
a ser a maior desde 2004 em mobilização e em número de dias
paralisados. No Estado de Pernambuco atingiu-se o patamar de 98% de
agências fechadas e no Brasil quase 60% durante um mês de
paralisação.

Nas
negociações específicas com o BB, CEF e BNB, destacam-se a
ampliação da participação de mulheres em funções gerenciais,
reestruturação de dívidas dos funcionários e criação de
Comissão Paritária para discussão do aprimoramento do RH 184 que
afeta as condições de trabalho e os direitos dos trabalhadores,
respectivamente.

Considerando
os itens acima, o Comando Nacional de Greve conseguiu assegurar
alguns pontos de pauta prioritários. Assim, resistiu ao velho
modelo de acordo da década de 1990 que reduzia os salários dos
trabalhadores e elevava o lucro das empresas. Também garantiu a
defesa do emprego através da criação de um Centro de Realocação
e Requalificação Profissional nos bancos cuja finalidade é
qualificar e realocar funcionários ameaçados pela reestruturação
evitando assim as demissões. Sobre os dias parados durante a greve,
a Fenaban insistiu na compensação de todos, sem prazo limite. Mas
o Comando não aceitou a postura dos banqueiros e conseguiu a inédita
vitória de abono integral. Os paredistas também conseguiram
garantir a licença-paternidade de 20 dias, conforme lei sancionada
neste ano, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff.

Conforme
a presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide
Rodrigues, não se pode afirmar que é este o acordo ideal, mas foi o
possível diante da conjuntura adversa vivenciada. Para ela, os
bancários promoveram um belo combate, não apenas contra os
banqueiros, mas também enfrentou seus aportes jurídicos, midiáticos
e apaniguadas associações de classe. “Além dos banqueiros,
enfrentamos uma batalha vigorosa contra poderosos inimigos da classe
trabalhadora. Mas resistimos bravamente. Nossa luta neste momento de
recrudescimento do campo conservador deve servir de inspiração para
todos os trabalhadores e trabalhadoras”, avalia.

Para
os paredistas, em seu desdobramento, a greve elevou-se de uma simples
pauta de reivindicação de uma categoria para uma disputa sobre
modelo de desenvolvimento tensionado de um lado pela elite econômica
neoliberal que pretende desmontar os direitos trabalhistas e do outro
os trabalhadores que lutam por uma economia justa e sustentável.

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