Funcionários da Caixa aprovam majoritariamente o fim da greve

Com apenas 10 votos contrários e duas
abstenções, o fim da greve da Caixa Econômica Federal (CEF) é
confirmado por ampla maioria dos bancários. A deliberação foi
retirada pela categoria em assembleia realizada no Sindicato dos
Bancários de Pernambuco, na noite desta sexta-feira(7). Estima-se a
participação de mais de 300 trabalhadores. Com a decisão, todos os
bancos voltam a operar normalmente no Estado de Pernambuco, a partir
da próxima segunda-feira.

Desde ontem, os bancos privados, Banco
do Brasil(BB), Banco do Nordeste do Brasil(BNB), Banco do Estado do
Rio Grande do Sul (Banrisul) votaram majoritariamente pelo fim das
paralisações.

De acordo com a presidenta do Sindicato
dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues, a posição da
Caixa de inicialmente rejeitar a proposta da Federação Nacional dos
Bancos (Fenaban) simboliza a insatisfação de toda a categoria.
“Jamais se pode afirmar que é este o acordo ideal, mas foi o
possível diante da conjuntura adversa que pesa sobre os
trabalhadores”, avalia. Ela destaca que exatamente por esse
contexto de crises política e econômica, será exigido dos
trabalhadores mais resistência contra o retrocesso de direitos. “A
greve acabou, mas a luta continua firme por melhores condições de
trabalho, pela garantia dos empregos, em defesa dos bancos
públicos e por uma economia justa e solidária”, prospecta.

Após 30 dias de paralisação e 10
rodadas de negociação, a proposta da Febaban para o ano corrente
consiste em reajuste de 8%; abono de R$ 3.500,00; 15% no
vale-alimentação; 10% no vale-refeição; 10% no auxílio
creche-babá; licença paternidade de 20 dias; abono integral dos
dias parados e garantia de emprego através da realocação e
requalificação de funcionários. Para 2017, garantia de reajuste
conforme Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC) e mais 1% de
aumento real nos salários e em todas as verbas.

Para o Comando, a campanha de 2016 foi
a mais difícil da história da categoria em razão das adversidades
políticas econômicas com ameaças graves aos direitos dos
trabalhadores, mas, também uma das mais gloriosas batalhas.
Inicialmente, os banqueiros tentaram impor um modelo copiado da
década de 1990 com redução dos salários e elevação dos lucros
líquidos do setor financeiro. Apresentaram assim um reajuste de 6,5%
e depois aumentaram pifiamente para 7%. Os trabalhadores rejeitaram a
oferta e intensificaram a greve que chegou a ser a maior desde 2004
em mobilização e em número de dias paralisados. No Estado de
Pernambuco atingiu-se o patamar de 98% de agências fechadas e no
Brasil quase 60% durante um mês de paralisação.

Considerando o quadro acima, o Comando
Nacional de Greve conseguiu assegurar alguns pontos de pauta
prioritários. Assim, resistiu ao velho modelo de acordo da década
de 1990 que reduzia os salários dos trabalhadores e elevava o lucro
das empresas. Também garantiu a defesa do emprego através da
criação de um Centro de Realocação e Requalificação
Profissional nos bancos cuja finalidade é qualificar e realocar
funcionários ameaçados pela reestruturação evitando assim as
demissões. Sobre os dias parados durante a greve, a Fenaban insistiu
na compensação de todos, sem prazo limite. Mas o Comando não
aceitou a postura dos banqueiros e conseguiu a inédita vitória de
abono integral. Os paredistas também conseguiram garantir a
licença-paternidade de 20 dias, conforme lei sancionada neste ano,
durante o governo da presidenta Dilma Rousseff.

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