Caffarelli admite que reestruturação do BB aponta para mercado de capitais

O presidente do Banco do Brasil (BB),
Paulo Rogério Caffarelli, em entrevista concedida ao Correio
Braziliense e publicada nessa segunda-feria (12), deixou claro que o
principal objetivo da reestruturação é adequar o banco às
exigências do Banco Central e deixá-lo mais próximo da realidade
dos concorrentes privados. Também afirmou que não há previsão de
reajuste salarial para os 9,3 mil funcionários que tiveram cargos
extintos e que os concursos públicos estão suspensos.

Questionado sobre o fato de o BB ficar
mais próximo dos concorrentes diretos (Bradesco e Itaú), Caffarelli
destaca que o pacote da reestruturação não se resume à adesão de
funcionários à aposentadoria, mas engloba também o fechamento de
agências, a transformação de agências em postos avançados, a
redução de jornada trabalho de oito para seis horas e a revisão de
processos e contratos.

Na avaliação da secretária-Geral do
Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Sandra Trajano, a entrevista
de Caffarelli evidencia que o BB não é mais o mesmo banco de
outrora, pois tem atuado, cada vez mais, como se fosse um banco
privado.

“Chamo atenção dos colegas que
ainda esperam que essa reestruturação traga ascensão para os
funcionários: isso não vai acontecer. O objetivo do banco é se
ajustar, cada vez mais, ao mercado, sem preocupação com o
funcionalismo”, afirma Sandra.

A reestruturação já gerou o
fechamento de 402 agências em todo o Brasil. Segundo Caffarelli, o
BB pretende se estabelecer como banco digital, com atendimento
físico. Atualmente, o banco tem 63 milhões de clientes, dos quais
apenas 9 milhões operam pelo celular. Como o próprio presidente da
instituição explica na entrevista, 54 milhões deles ainda precisam
das agências físicas.

“Caffarelli se contradiz com esses
dados. Como podemos priorizar o atendimento digital sem prejuízo à
população, se a grande maioria dos clientes do BB necessita de
atendimento presencial?”, questiona Sandra, que é funcionária do
BB.

Para a secretária-Geral, o
funcionalismo do banco, mais do que nunca, precisa abrir não da
leitura individualista da realidade. “O coletivo se mostra a única
saída, para juntos, movimento sindical e funcionalismo,
pressionarmos o banco a reajustar seus planos. Os objetivos
financeiros do banco não podem ser priorizados em detrimento dos
trabalhadores e da população”, reforça.

Clique aqui para conferir na íntegra a
entrevista de Paulo Rogério Caffarelli concedida ao Correio
Braziliense:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2016/12/12/internas_economia,560909/banco-do-brasil-aposenta-9-4-mil-e-suspende-concursos-publicos.shtml

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