
O
Sindicato dos Bancários de Pernambuco participou na manhã desta
quarta-feira (14) de uma audiência pública sobre o desmonte do
Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal, na Câmara dos
Vereadores do Recife. A reunião pública foi promovida pelo vereador
da Casa, Jurandir Liberal.
No
fim de novembro, o BB anunciou um programa de reestruturação, por
meio do Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (Peai),
com corte de 9,3 mil funções, fechamento de 402 agências e redução
de 379 delas a postos avançados de atendimento.
Mais
de 9,4 mil funcionários aderiam ao Peai, e os concursos públicos
estão suspensos. O presidente do BB, Paulo Rogério Caffarelli, já
declarou que a reestruturação tem como objetivo principal adequar a
instituição às exigências do mercado.
O
presidente da Caixa, Marcelo Occhi, por sua
vez, anunciou que o banco estuda lançar também um plano de
aposentadoria que atingirá cerca de 10 mil empregados e reavaliar o
funcionamento de 100 agências supostamente deficitárias.
A
presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, ressaltou a importância
do diálogo com a população. “Nós, trabalhadores, estamos
enfrentando sucessivas perdas de direitos neste ano. E, diante do
atual cenário político brasileiro, 2017 pode ser um ano ainda mais
difícil para a classe trabalhadora e, especificamente, para a
categoria bancária. Enfrentaremos a ameaça de privatização dos
bancos públicos e demissão nos bancos privados”, afirmou a
presidenta na abertura da audiência.
O
vereador Jurandir Liberal destacou a relevância social do assunto.
Para ele, a audiência pública ocorre num momento em que o
contraponto às informações veiculadas pela mídia mostra-se
essencial para que a população saiba o que de fato está ocorrendo
com seus direitos.
“As
pessoas precisam se dar conta do que está acontecendo. Na época em
que era presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais,
presenciei a implementação de planos de aposentadoria incentivada
que trouxeram grandes prejuízos aos
trabalhadores. Muitos dos que aderiram se arrependeram. Em nome de
uma aparente vantagem imediata, os empregados
se desligam das empresas e quando percebem o que havia por trás
disso já é tarde”, avaliou o vereador.
Segundo
o secretário de Bancos Públicos do Sindicato, Renato Brito, o que
está em jogo é uma disputa acerca do modelo de sociedade. “Cerca
de 7% do funcionalismo do BB foi desligado do banco nesse plano de
aposentadoria incentiva. Esta é a maior reestruturação da história
do banco, que passou pelos mais variados ciclos econômicos nesses
mais de 200 anos desde a fundação”, avalia o diretor, que é
funcionário do BB.
Renato
explica que mais 70% dos alimentos consumidos no Brasil são fruto da
agricultura familiar, que é financiada pelo BB, e que mais de 80%
das obras de infraestrutura no Brasil são financiadas pela Caixa.
Além disso, eles são os dois maiores bancos do país.
A
secretária de Finanças do Sindicato, Jaqueline Mello, que é
empregada da Caixa, destacou que toda a história do banco, desde a
fundação, é voltada ao atendimento da população pobre do país.
“O
Brasil precisa da Caixa, que é
a
principal operadora das políticas sociais do governo federal. Vamos
continuar fazendo reuniões, audiências e atos públicos, para
mostrar à população que a privatização dos bancos públicos faz
parte de um projeto em que a maioria será, mais uma vez, excluída”,
analisou.